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“Tinder dos imóveis” compra briga com imobiliárias e corretores

Aplicativo tem incomodado mercado com sua proposta de dispensar a intermediação de corretores e imobiliárias na hora da negociação

O publicitário Felipe Jacinto lançou neste mês o App do Imóvel, que tem como proposta fazer a ponte entre compradores e vendedores de imóveis sem a necessidade de um corretor. Desde a largada, o aplicativo apresenta-se como o ‘Tinder dos imóveis’. O apelido é uma alusão ao popular app de paquera – mas, a despeito da referência, o clima entre seus potenciais concorrentes não é de amor.

Claudecir Roque Contreira, diretor do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) de Mato Grosso, vai levar um documento com 2.800 assinaturas contra o aplicativo no dia 9 de agosto a Brasília. Com o abaixo-assinado, o conselho tentará fazer avançar o projeto de lei, ainda em tramitação na Câmara, que exige a inclusão do número de registro da imobiliária na escritura dos imóveis quando a negociação é feita pelo corretor. Contreira é um dos membros da classe que se mantêm receosos.

O presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, por sua vez, desdenha da novidade. “É natimorto”, diz. “Não passa de mais um dos tantos outros que já nasceram e que já morreram. Esses aplicativos são inócuos.”

Uma das principais reclamações dos corretores está baseada na Lei nº6.530, de 12 de maio de 1978, que determina a função do corretor na relação entre comprador e vendedor. Jacinto, o criador do aplicativo, refuta o argumento. “Estamos voltando para o tempo das pedras”, afirma. “Eles (corretores) têm que entender que as documentações estão online. Eles criam dificuldade para vender facilidade.”

A ideia do aplicativo é simples: comprar, trocar ou vender um imóvel sem depender do serviço de um corretor ou de uma imobiliária. Isso permite uma economia de 6% na transação, porcentual que equivale à taxa de corretagem média cobrada no país. No caso de um apartamento de 1 milhão de reais, por exemplo, o comprador consegue economizar 60.000 reais, que seriam desembolsados para remunerar o corretor ou a imobiliária que fizesse a intermediação do negócio.

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A ideia é a de aproximar pessoas com interesses em comum. O comprador se cadastra, põe o anúncio gratuitamente e filtra o interesse por região. Se ele gostar de determinado imóvel, o vendedor vai ver quem gostou do seu apartamento. “Aí é match“, diz Jacinto, apelando ao jargão do Tinder usado quando duas pessoas “dão liga”.

Hoje já são mais de 4.000 imóveis particulares anunciados por quase 8.000 usuários. Jacinto, que tem por trás da startup uma equipe de seis pessoas, ainda não está fazendo dinheiro com o app. “Não cobramos nada, não tem custo algum as negociações”, explica o criador, que, no futuro, pretende colocar anúncios entre as fotos dos imóveis. É assim que pretende fazer dinheiro com sua criação.

Comentários

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  1. José Carlos Colodette

    Não devo ser obrigado a contratar e pagar por serviços que não preciso. Isso fere meu direito de ir e vir.

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  2. Paulo Roberto Almeida Lima

    Se o trabalho de corretor fosse somente indicar o imovel ao comprador ou um comprador ao vendedor de fato este aplicativo pode substituir com folga.

    A questao é que o trabalho do corretor vai alem de indicar. Transigir, viabilizar o negocio com estrategia, paciencia e foco sao as armas dos bons corretores. Isto nenhum aplicativo ainda pode substituir. Que pensa o contrario deve de fato usar o tal “tinder”

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  3. Muitos corretores passaram a usar o aplicativo Urbe, agora estão vendo o que é concorrência desleal.

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  4. Muitos corretores hoje, andam de Urbe, agora, vão sentir na pele, o que é concorrência desleal.

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  5. Anderson Martins Imóveis

    Só serve para eu captar Imóveis dos proprietários
    e mostrar a diferença de ter um corretor credenciado

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  6. Mario Junior Corretor

    Ótima colocação Anderson Martins

    Deixa quieto Vai ser melhor que esperávamos.Vai facilitar bastante para nós

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  7. Rhafaéla Thomé

    As pessoas nem imaginam o quanto um profissional credenciado é importante, não é só a intermediação, é filtrar as informações , conhecer e identificar o cliente em potencial, principalmente se tem moradores no imóvel. Quando o cliente dispensa um profissional, ele fica exposto e coloca toda a família em perigo, quem pode estar do outro lado pode ser um ladrão querendo ver o que tem na sua casa e voltar depois, ou até um golpistas.

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  8. Jean Carlos Hidalgo

    Entao se fere o direito de ir e vir o senhor nao deve ter formação academica alguma pq os seus direitos acabam onde começa os direitos dos corretores que estudaram e investiram tempo e dinheiro para ter a formação

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  9. Marcia Kumabe

    Não comparo essa situação a concorrência do Uber, pois são concorrentes, se os taxistas melhorem o serviço e equipararem os valores, o mercado estará livre para trabalhar. No caso desse aplicativo até a propaganda degradou o serviço do corretor, não acredito que vá para frente pois o proprietário está abrindo a porta para pessoas que podem ter boa fé, ou também pode ter más intençôes. Até nós que estamos no mercado a anos e temos experiências, passamos casos de venda que temos que aprender antes de fecharmos um negócio para não fazer um trabalho errado. Imagina uma pessoa leiga. enfim, o proprietário tem todo direito de vender e fazer propaganda de seu imóvel. Porém o criador do aplicativo não tem direito de expor uma profissão da forma que fez.

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  10. André Pelli

    Estou tomando conhecimento deste APP nesta data, e declaro ter direitos sobre esta invenção, aliás, o desenvolvedor utilizou-se de muitas ferramentas e regra de negócio criadas por nossa empresa. Temos um “SISTEMA PARA REALIZAÇÃO DE SERVIÇOS IMOBILIÁRIOS” registrado no INPI deste 11/07/2011 sob número PI 1103464-5 A2 que dá nota de todos estas ferramentas e usos que este APP se apoderou. Entrarei em contato com o órgão afim de notificar tal desenvolvedor.

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