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PIB da China despenca 6,8% no 1º tri e mostra devastação do coronavírus

É a primeira vez desde 1992, quando os dados passaram a ser divulgados, que a economia do país recua

Por da Redação Atualizado em 17 abr 2020, 11h13 - Publicado em 17 abr 2020, 08h16

Os resultados da pandemia do novo coronavírus na China, epicentro inicial da doença, começam a aparecer. Segundo o governo do país, a economia derreteu 6,8% no primeiro trimestre deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado. Foi a primeira vez desde 1992, quando os resultados econômicos passaram a ser divulgados no país, que houve recuo no Produto Interno Bruto (PIB).

Na comparação com o trimestre anterior, o PIB caiu 9,8% nos três primeiros meses do ano, No último trimestre de 2019, o crescimento da segunda maior economia do mundo foi de 6% na comparação com o mesmo período de 2018.

Para tentar conter o avanço da epidemia, o país fechou fábricas, escolas e comércios, proibiu voos e isolou completamente a cidade epicentro da doença, Whuan. As medidas drásticas de isolamento no primeiro trimestre — principalmente entre o fim de janeiro e durante o mês de fevereiro — refletiram no resultado da produção econômica. A queda na produção chinesa afeta economias mundiais, já que muitos países compram produtos e componentes chineses. No caso dos equipamentos de produção individual (EPIs), por exemplo, o país concentra 90% da produção.

“Os dados do PIB do primeiro trimestre ainda estão amplamente dentro das expectativas, refletindo as perdas da paralisação econômica quando toda a sociedade estava isolada”, disse Lu Zhengwei, economista-chefe do Industrial Bank.

  • Após os lockdowns, a economia do país tenta se ativar. Nos dados divulgados, o governo chinês informou que houve uma queda de 1,1% em março, menor do que a esperada na produção industrial de março, sugerindo que o alívio tributário e de crédito para empresas afetadas pelo vírus está ajudando a retomar partes da economia fechadas desde fevereiro.

    O porta-voz da agência de estatísticas, Mao Shengyong, disse em entrevista à imprensa que o desempenho econômico da China no segundo trimestre deve ser muito melhor do que no primeiro. Entretanto, o consumo doméstico mais fraco, que tem sido o grande motor do crescimento, continua sendo uma preocupação já que a renda desacelera e o resto do mundo cai em recessão.

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    “Para a próxima fase, a falta de demanda geral é a preocupação. A demanda doméstica não se recuperou totalmente uma vez que o consumo relacionado aos agrupamentos sociais ainda está proibido enquanto a demanda externa deve ser prejudicada enquanto a pandemia se espalha”, diz a economista do Industrial Bank.

    Resgate

    Os líderes chineses já prometeram mais medidas para combater as perdas mas estão cientes das lições aprendidas em 2008 e 2009, durante a crise financeira mundial, quando fortes estímulos pressionaram a economia com enormes dívidas.

    No mês passado, o Partido Comunista disse que está avaliando medidas como mais títulos especiais de governos locais e bônus especiais do Tesouro.

    O banco central já afrouxou a política monetária para ajudar a liberar crédito para a economia, mas seu afrouxamento até agora tem sido menos agressivo do que durante a crise financeira.

    O governo também contará com mais estímulo fiscal para alimentar o investimento em infraestrutura e consumo, o que pode levar o déficit orçamentário de 2020 a uma máxima recorde. Para 2020, a expectativa é de que o crescimento econômico da China caia para 2,5%, ritmo anual mais lento em quase meio século, segundo pesquisa da Agência Reuters.

    (Com Reuters)

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