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Panamericano divulga à CVM números errados do balanço

Dados são atribuídos aos resultados de 2010, mas departamento de Relações com Investidores (RI) afirma que não estão corretos

Por Ana Clara Costa 28 jan 2011, 15h24

A confusão de números envolvendo o banco Panamericano parece não ter fim. Além de ter sido detectado um aumento do rombo bilionário, que pode chegar a 4 bilhões de reais, a instituição divulgou seu formulário de referência de maneira equivocada, contendo números trocados. O formulário é um documento enviado anualmente para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e informa aos investidores pontos importantes sobre a política de atuação das empresas, a remuneração de seus diretores e alguns de seus principais dados financeiros.

Nesta quarta-feira, o documento foi enviado pelo banco à CVM e informava os resultados financeiros de 2010 sem que o balanço tivesse sido divulgado. Segundo as normas de governança da autarquia, o balanço de uma companhia aberta deve ser divulgado a todo o mercado em uma data pré-estabelecida, sem que informações financeiras escapem antes de sua divulgação oficial. O balanço do Panamericano está previsto para a próxima semana e tem deixado investidores apreensivos – já que desde o segundo trimestre do ano passado a instituição não publica resultados.

Os números divulgados, tais como o patrimônio líquido de 1,3 bilhão de reais e 11 bilhões de reais em ativos totais da empresa, entraram no formulário de referência como se correspondessem aos resultados que o mercado tanto aguarda, mas não passavam de mais um erro.

Questionado por VEJA, a área de Relações com Investidores (RI) do banco inicialmente confirmou a divulgação dos números de 2010. Minutos depois, negou que os dados estivessem relacionados aos resultados do ano passado. Segundo o departamento, o sistema de dados da CVM ‘entendeu’ os números de forma errada e acabou contabilizando os resultados financeiros de 2009 como se fossem de 2010. “Neste momento estamos atualizando o sistema e voltando para outra versão do backup, com os números corretos de 2009”, afirma o analista de RI do Panamericano, Anderson Machado Vianna. Em nota enviada ao site de VEJA, o banco afirma que havia acessado o sistema dados da CVM apenas para a “homologação e validação de Fato Relevante divulgado em 19/01 sobre o aumento de participação acionária da Polo Capital”.

Investidores do Panamericano ouvidos pelo site de VEJA continuam apreensivos, no aguardo das estatísticas reais. Nesta semana, novos indícios preocupantes surgiram, dando como possível que o rombo no banco seja ainda maior que os 2,5 bilhões de reais declarados inicialmente. “É um absurdo essa confusão acontecer antes da divulgação de resultados”, afirma um investidor institucional do banco, que preferiu não ser citado.

Remuneração – Os problemas restringiram-se, de acordo com a área de RI, aos números relativos aos resultados financeiros. Os outros estariam corretos. Assim, o formulário de referência traz a remuneração dos diretores e conselheiros do banco em 2010 (tanto da diretoria destituída quanto dos novos executivos), além da previsão de remuneração para 2011. De acordo com o formulário, os diretores continuarão sem receber bônus ou remuneração em ações. Já o pró-labore pode variar entre 960 mil reais e 480 mil reais anuais. O total previsto para pagar os diretores em 2011 é de 4,4 milhões de reais.

Já para o conselho de administração, presidido pela presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos, a remuneração total anual deve chegar a 1,24 milhão de reais – ou salários anuais entre 81 mil reais e 174 mil reais.

Apesar de o formulário reafirmar que os executivos não recebem bônus, fonte ouvida por VEJA sustenta a tese de que valores milionários eram pagos por fora do balanço para a antiga diretoria. No ano passado, esta também era acusada de maquiar sua real real participação acionária no banco.

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