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Mercado vê inflação mais alta pela 15ª semana e novo impacto na Selic

Segundo analistas consultados pelo Banco Central, IPCA deve fechar o ano em 6,31%, acima da expectativa do governo, de 5,9% para o fim o ano

Por Larissa Quintino Atualizado em 19 jul 2021, 09h50 - Publicado em 19 jul 2021, 09h18

Já são quase quatro meses em que analistas do mercado financeiro recalculam a inflação. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 19, o Índice Oficial de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano em 6,31%, 15ª revisão consecutiva feita pelo mercado. A pressão da inflação, segundo os economistas e agentes financeiros consultados, deve resultar em uma taxa de juros mais alta, a 6,75% no ano. Na semana passada, a mediana indicava a Selic a 6,63%.

A perspectiva do mercado financeiro é mais alta que a do Ministério da Economia. Na semana passada, o governo estimou que o IPCA encerre o ano em 5,9%, admitindo pela primeira vez que a inflação deve estourar o teto estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no ano, de 3,75%, com margem de tolerância até 5,25%.

A alta da inflação tem influência direta no Orçamento do governo, que é definido com os parâmetros de inflação do meio do ano, e tem as despesas atualizadas com o índice acumulado até o meio do ano e diversas despesas atualizadas com a inflação no fim do ano. O IPCA de junho bateu 8,35% em junho, no acumulado de 12 meses.  Com sinais de desaceleração, ainda tímidos, em alguns indicadores, a inflação ao fim do ano deve ser alta, mas menor que a do meio do ano. Tanto que, em Brasília, já há queda de braços entre ministros pelas sobras do orçamento.

De toda forma, a inflação está mais acelerada do que a estimativa do próprio mercado, que há um mês via o índice de 5,90%, a estimativa atual do governo. Fortes altas em alimentos no fim de 2020, pressão dos combustíveis no primeiro semestre e da energia elétrica no segundo subiram os preços para o consumidor. Embora de forma mais lenta, o preço dos alimentos continua subindo, assim como a energia elétrica, que teve reajuste de 52% na tarifa em julho e deve influenciar no IPCA deste mês, a ser divulgado no início de agosto.

Também no início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve rever mais uma vez para cima a taxa básica de juros, a Selic. Com a pressão inflacionária e a economia dando sinais de recuperação, o Comitê começou a diminuir os estímulos e aumentar a taxa de juros. Do começo do ano para cá, foram três ajustes seguidos, de 0,75 ponto percentual cada, subindo de 2% para 4,25%. O mercado financeiro espera que ao fim do ano o indicador esteja em 6,75% e em 7% em 2022.

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PIB

Além das projeções para a inflação, o mercado financeiro também reviu a estimativa para o Produto Interno Bruto. Segundo os analistas consultados pelo BC, o PIB deve encerrar o ano em 5,27%, ligeiramente acima do patamar da semana passada, de 5,26%. Esta é a 11ª consecutiva que o indicador é revisto para cima, mas a alta é mais lenta que nas últimas semanas. De quatro semanas para cá, o PIB foi revisto em 0,27 ponto percental segundo analistas de mercado.

A revisão mais tímida acontece após o Banco Central divulgar o IBC-Br de maio, “termômetro” da autoridade monetária para medir a atividade econômica. O indicador de maio apontou recuo -0,43% na comparação com abril, quando o mercado estimava avanço de 1% na atividade. A queda de maio acontece depois de uma alta de 0,85% em abril e de um primeiro trimestre de crescimento de 1,6%. Apesar da queda, o indicador mostra uma recuperação no ano, com alta de 6,6% em relação ao mesmo período de 2020.

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