Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

A queda de braço entre Tarcísio e Marinho pelas sobras do Orçamento

Com o reajuste do teto de gastos pela inflação, ministro da Infraestrutura faz as contas, enquanto Marinho até ameaça sair por ser preterido por Guedes

Por Victor Irajá, Felipe Mendes 16 jul 2021, 14h55

Chefe do Ministério da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas faz contas — orçamentárias e políticas — para impulsionar seus trabalhos na Esplanada dos Ministérios. Cotado para ser o candidato bolsonarista ao governo de São Paulo, ele levou ao presidente suas intenções com os recursos extras com que o governo conta para o ano que vem. Graças ao reajuste do teto de gastos pela inflação, o governo terá espaço para expansão de despesas no que vem de 47,3 bilhões de reais, segundo o Instituto Fiscal Independente, o IFI. O reajuste será de 8,3%, com base no Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aferido em doze meses até junho.

Tarcísio reclama que o Orçamento de 6 bilhões de reais que recebeu é insuficiente para a consolidação dos projetos, e demanda por mais recursos para a conclusão é consolidação de novas obras. Ele argumentou com o ministro Guedes que executou mais de 99% dos recursos destinados à pasta no ano passado e antevê um aumento na destinação. Almeja algo entre 8 bilhões de reais e 9 bilhões de reais para o ano que vem e evoca ao ministro sua fidelidade canina ao teto de gastos.

Com os projetos de Tarcísio saindo do papel, Guedes tem mostrado boa vontade para a destinação de mais recursos à sua pasta, mas reclama que “outros ministérios vão querer também”. O ministro da Economia diz, porém, que é justo repassar mais “para quem entrega” — além de, claro, os gastos com essas obras não representarem despesas fixas. Tarcísio levou ao presidente Jair Bolsonaro um plano de revitalização e manutenção da malha rodoviária, orçada em 5 bilhões de reais, com o qual otimizaria a estrutura já existente e, promete, geraria empregos. Bolsonaro gostou da ideia.

A linha de raciocínio de Guedes envolve, claro, a disputa com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, por espaço no governo, às turras constantes, como mostra a coluna Radar, e chega até a ameaçar a deixar o cargo. Neste ano, as emendas destinadas à pasta de Marinho, desafeto de Guedes, sofreram contingenciamentos para que as receitas coubessem nos gastos do Poder Executivo. A auxiliares, Marinho admite que busca a “recomposição” das verbas. A missão não tem tido resultados, como desejava o ministro. Marinho tem se mantido discreto ao comentar sobre a disputa por recursos para o ano que vem.

Continua após a publicidade
Publicidade