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Ibovespa recua 0,25% pressionado por acordo entre Embraer e Boeing

Após cinco pregões consecutivos em alta, Bovespa fechou dia em queda, com 74.553,06 pontos

A cautela diante das incertezas dos cenários interno e externo levou o investidor do mercado brasileiro de ações a optar por recolher os lucros obtidos recentemente, interrompendo uma sequência de altas do Índice Bovespa que se estendeu por cinco pregões consecutivos. O índice chegou a subir moderadamente pela manhã, ainda sob o efeito do noticiário corporativo positivo da véspera, mas cedeu a uma discreta correção. Ao final dos negócios, marcou 74.553,06 pontos, em baixa de 0,25%.

Embraer, Petrobras e Eletrobras foram os principais destaques de baixa, um dia depois de terem sido impulsionadas por eventos específicos que melhoraram o humor do investidor. No cenário internacional, a alta das bolsas na Europa e nos Estados Unidos foi influência positiva, mas não o suficiente para incentivar novas compras. Internamente, a questão eleitoral permaneceu como um pano de fundo desconfortável, principalmente depois da sinalização de maior apoio de partidos de centro à candidatura de Ciro Gomes (PDT).

O principal destaque do dia foi a Embraer, que pela manhã confirmou as expectativas da véspera e divulgou o memorando de entendimentos firmado com a Boeing para a criação de uma joint venture para atuar no segmento de aviação comercial. Na formação da nova empresa, a Boeing terá 80% e a empresa brasileira responderá por 20%. O negócio tem valor de 4,75 bilhões de dólares e a Embraer deverá receber 3,8 bilhões de dólares da companhia americana.

A ação da companhia de aviação brasileira, que havia subido mais de 3% na quarta-feira (4), já na expectativa pela concretização do negócio, nesta quinta-feira despencou 14,29% e respondeu pelo segundo maior volume de negócios da B3 (531,6 milhões de reais). Analistas atribuíram as perdas das ações a um movimento essencialmente de realização de lucros, embora justificado por dúvidas reais quanto aos detalhes do negócio.

Falta de Clareza

“Ainda pairam incertezas no ar, uma vez que os investidores não tiveram uma visão muito clara do acordo. Uma das questões importantes é a necessidade de aprovação por parte dos órgãos reguladores no Brasil e nos Estados Unidos. O Cade nem sempre tem sido amigável com as empresas em suas decisões”, disse Shin Lai, estrategista e analista da Upside Investor.

Com oscilações não tão expressivas quanto as da Embraer, mas com peso maior na composição do Ibovespa, as ações da Petrobras recuaram 2,99% (ON) e 3,20% (PN) e exerceram influência importante na queda do Ibovespa. As ações haviam subido entre 4% e 5% na véspera, embaladas pela notícia do destravamento do leilão do excedente da cessão onerosa.

Nesta quinta-feira (5), segundo operadores, pegaram carona na queda dos preços do petróleo e passaram por realização de lucros. Por fim, Eletrobras ON e PNB cederam 8,60% e 6,15%, devolvendo apenas parte dos ganhos da véspera, em reflexo do avanço do processo legislativo para permitir a venda das distribuidoras da companhia ainda este mês.