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Fitch aponta perspectiva negativa de nota de crédito dos Estados Unidos

Segundo a agência de classificação de risco, o corte reflete a deterioração das finanças dos EUA e a ausência de um plano crível de consolidação fiscal

Por Victor Irajá - Atualizado em 31 jul 2020, 21h46 - Publicado em 31 jul 2020, 18h28

Uma das principais agências de classificação de risco, a Fitch Ratings cortou a perspectiva da nota dos Estados Unidos nesta sexta-feira, 31, graças à devassa causada pelo coronavírus à economia do país. “A perspectiva foi revisada como negativa para refletir a atual deterioração das finanças públicas estadunidenses e a ausência de um plano crível de consolidação fiscal”, informou a agência. A nota do país foi atualizada de ‘estável’ para ‘negativa’, apontando que, no momento, os Estados Unidos não serão uma nação recomendada para investimentos graças à pandemia.

“A flexibilidade de financiamento, auxiliada pela intervenção do Federal Reserve para restaurar a liquidez dos mercados financeiros, não dissipa  totalmente os riscos à sustentabilidade da dívida a médio prazo, e há um risco crescente de que os formuladores de políticas dos EUA não consolidem as finanças públicas o suficiente para estabilizar a dívida pública após o choque.

A agência aponta que, embora uma resposta política maciça tenha impedido uma desaceleração mais profunda, tratando da injeção de mais de 3 trilhões de dólares por parte do Federal Reserve — o Banco Central do país —, e as projeções e persistem os riscos negativos. “A Fitch espera que o déficit anual do governo aumente para mais de 20% do PIB em 2020. A agência espera que o déficit diminua para 11% do PIB em 2021, à medida que as medidas de apoio econômico forem revertidas”, diz o relatório da Fitch. A agência avalia que a economia americana deve sofrer um baque de 5,6% em 2020 e se recupere em 4% no ano que vem, graças à “resposta maciça da política fiscal evitando uma desaceleração mais profunda”.

Na quinta-feira 30, o escritório de estatísticas econômicas (BEA) mostrou que a economia do país no segundo trimestre despencou 32,9% na taxa anualizada. Em relação ao primeiro trimestre, o PIB americano apresentou contração de cerca de 10%. Os Estados Unidos são o país com mais casos de coronavírus no mundo, porém, a escalada dos casos por lá começaram no início de março e aceleraram em abril, movimento semelhante a proliferação da Covid-19 no Brasil. Os pedidos de auxílio-desemprego divulgados também nessa quinta-feira aumentaram. Na semana terminada no dia 25 de julho, foram 1.434.000 solicitações, 12 mil a mais que a semana anterior.

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