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Economia brasileira surpreende no fim do ano e avança 2,3% em 2013

Setor agropecuário e investimentos impulsionaram o avanço econômico, enquanto a indústria e o consumo cresceram pouco

A economia brasileira cresceu 2,3% em 2013, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. O Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre teve alta de 0,7% em relação ao terceiro – e de 1,9% ante o mesmo período do ano anterior. O número veio um pouco acima das expectativas de mercado, que apontavam para alta entre 2,1% e 2,2%. Para o número trimestral, as expectativas estavam entre 0,2% e 0,3%. A soma de toda a riqueza produzida pela economia do país em 2013 foi de 4,84 trilhões de reais. Desse total, o setor de serviços respondeu por 2,84 trilhões de reais, seguido por indústria (1,021 trilhão) e agropecuária (234,6 bilhões). O IBC-Br, indicador prévio do PIB, medido também pelo BC, havia apontado expansão de 2,57% em 2013.

O IBGE aponta aceleração econômica em relação a 2012, quando o PIB cresceu meros 1%, mas analistas acreditam que o primeiro trimestre deste ano começou com pouca força. No primeiro e segundo trimestres do ano passado, o PIB teve variação nula (0%) e 1,9%, conforme dados revisados pelo IBGE. A agropecuária e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que indica o porcentual de investimentos feitos ao longo do ano, destacaram-se positivamente no primeiro semestre e motivaram as costumeiras declarações otimistas do ministro Guido Mantega. Mas, no terceiro trimestre, o PIB registrou contração de 0,5%, a pior desde o primeiro trimestre de 2009, ano em que houve retração econômica de 1,6%.

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O PIB é analisado pelos economistas sob duas óticas distintas: a da oferta, representada pelo setor produtivo (agropecuária, indústria e serviços) e a dos gastos (demanda), representada por investimentos, consumo das famílias, gastos do governo e balança comercial (exportações menos importações).

O impacto negativo no resultado do quarto trimestre no que diz respeito à oferta foi o setor industrial. A atividade da indústria recuou 0,2% ante o terceiro trimestre e subiu 1,5% ante o mesmo período de 2012.

Enquanto isso, o setor de serviços foi o único que contribuiu positivamente para o PIB no final do ano passado, uma vez que a agropecuária não cresceu (variação nula). No terceiro trimestre de 2013, os serviços haviam subido apenas 0,2%, ainda sob os efeitos das manifestações e com o persistente endividamento das famílias. Em relação ao mesmo período de 2012, a expansão foi de 1,8%. Com a persistente inflação, que se mantém acima do centro da meta de 4,5% ao ano, a renda das famílias acaba sendo afetada, prejudicando o comércio. Apesar do crescimento entre outubro e dezembro, vale destacar que o ano de 2013 foi o pior para o varejo brasileiro em 10 anos. O crescimento de 4,3% no volume de vendas no ano passado foi a menor taxa de expansão desde 2003.

Por fim, mesmo com a variação nula do quarto trimestre, depois de cair 3,8% no terceiro, o PIB da agropecuária foi o que mais cresceu em termos porcentuais no ano: expandiu 7% ante 2012. Na comparação do quarto trimestre com o último trimestre de 2012, o PIB agrícola cresceu 2,4%. No ano todo, indústria e serviços expandiram 1,3% e 2%, respectivamente.

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Sob o outro ponto de vista, o da demanda, o destaque negativo ficou com os investimentos, representados pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que cresceu apenas 0,3% no quarto trimestre em relação ao terceiro. Contudo, além de surpreender analistas que apostavam em uma segunda queda consecutiva – no terceiro trimestre, havia recuado 2,2% -, o indicador subiu 5,5% ante o quarto trimestre de 2012 e foi o destaque positivo do ano (alta de 6,3%). Os investimentos somaram 889,3 bilhões de reais no ano passado. A taxa de investimento no ano de 2013 foi de 18,4% do PIB, ligeiramente acima do observado no ano anterior (18,2%). A taxa de poupança foi de 13,9% em 2013 (ante 14,6% no ano anterior), segundo o IBGE.

Já o consumo das famílias, maior peso do PIB, subiu 0,7% no quarto trimestre, ante crescimento de 1% no terceiro trimestre. Em relação ao quarto trimestre de 2012, o setor aumentou 1,9% e, no acumulado do ano, teve alta de 2,3%, ainda tímida. Em 2013, a conta fechou em 3,022 trilhões de reais.

Ainda segundo o IBGE, os gastos do governo somaram 1,064 trilhões de reais ao PIB no ano passado. Na relação trimestral – quarto ante terceiro – foi registrada alta de 0,8%. Já na anual, comparado ao fim de 2012, a aceleração foi de 2%. De janeiro a dezembro, esses dispêndios subiram 1,9%.

Por fim, as exportações brasileiras subiram 4,1% no quarto trimestre de 2013 em relação ao terceiro e 5,6% na comparação com o mesmo trimestre de 2012. No ano, as vendas ao exterior cresceram 2,5%. Já as importações contabilizadas no PIB diminuíram em 0,1% entre outubro e dezembro na comparação trimestral, mas subiram 4,8% na anual. Em 2013, as compras do exterior cresceram 8,4% em relação a igual período do ano passado.

Vale lembrar que o dólar também impactou a economia no ano passado ao se valorizar 15,1%, sobretudo no segundo semestre. As mudanças na política monetária dos EUA, com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) começando a retirar os estímulos da economia, também impactaram o cenário de investimentos para o país. Tal mudança levou a uma fuga de capital de países emergentes para as economistas desenvolvidas, pressionando ainda mais a cotação do real.

A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial. No PIB, entram bens e serviços, e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram somente bens, e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.

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