Dólar volta a subir e bate novo recorde do ano

Risco de desaceleração econômica global e declarações de Bolsonaro afetam câmbio

Por Clara Valdiviezo - 7 mar 2019, 20h41

O dólar voltou a subir nesta quinta-feira, 7, e registrou, pelo segundo dia consecutivo, o maior valor deste ano. A moeda norte-americana fechou negociada a 3,88 reais, com alta de 1,27%. A valorização foi impulsionada pelo risco de desaceleração global e pelas polêmicas do presidente Jair Bolsonaro.  

O cenário global de curto prazo é incerto e o risco de desaceleração econômica global amedronta os investidores, de acordo com o economista-chefe da Guide Investimento, Victor Cândido. “Hoje o Banco Central Europeu decidiu que não vai subir os juros e que vai liberar mais liquidez para os bancos da região. A decisão mostra que há risco de desaceleração econômica mundial”, afirmou.

Outro fator que pressionou a cotação foi o aumento da procura pela moeda por parte de investidores, que buscaram proteção na véspera da divulgação nos EUA dos dados das folhas de pagamento das empresas norte-americanas _um indicador de como vem se comportando a economia do país_, de acordo com o diretor-geral da corretora Wester Union no Brasil, Luiz Citro.

No cenário interno, o que preocupa o mercado são as falas do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o economista da Necton, André Perfeito, o mercado perdeu forças pela demonstração de que o governo federal não consegue impor uma agenda sua, priorizando a reforma da Previdência. 

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Após a polêmica do vídeo com cenas obscenas no Twitter ter afetado o mercado, Bolsonaro declarou na manhã desta quinta, 7,  que “democracia e liberdade só existem quando a sua respectiva Forças Armadas assim o quer”. Ao manter polêmicas e fugir do assunto principal da agenda, a reforma da Previdência, “o mercado entende isso como perda de energia”, segundo o economista.

Entretanto, depois do fechamento do mercado de câmbio, o presidente publicou as suas primeiras postagens defendendo a reforma da Previdência após ter entregue o projeto ao Congresso, em fevereiro.

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, teve leve alta de 0,13%, fechando a 94.340,18 pontos.

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