Clique e assine a partir de 9,90/mês

Coronavírus: Quase 10 milhões de brasileiros perderam renda em maio

Segundo o IBGE, o número corresponde a mais da metade das 19 milhões de pessoas afastadas do trabalho em maio devido a pandemia

Por da Redação - 24 jun 2020, 17h41

As consequências econômicas da pandemia do novo coronavírus refletiram diretamente no bolso do brasileiro. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira, 24, 9,7 milhões de trabalhadores sem remuneração em maio de 2020. De acordo com o instituto, isso corresponde a mais da metade (51,3%) das pessoas que estavam afastadas de seus trabalhos e a 11,7% da população ocupada do país, que totalizava 84,4 milhões. As informações são da primeira divulgação mensal da Pnad Covid, realizada com apoio do Ministério da Saúde, para identificar os impactos da pandemia no mercado de trabalho. Os dados da pesquisa divulgada hoje não são compatíveis com a Pnad tradicional, devido a diferenças metodológicas.

A pesquisa mostra que 19 milhões de pessoas (ou 22,5%) estavam afastadas de seu trabalho, sendo que 15,7 milhões (ou 18,6%) afirmaram estar afastadas devido ao distanciamento social. Além disso, o grupo etário com maior proporção de pessoas afastadas do trabalho foi o de 60 anos ou mais: 27,3%. Trabalhadores domésticos sem carteira foram os mais afetados, registrando o maior percentual de pessoas afastadas devido à pandemia (33,6%), seguidos pelos empregados do setor público sem carteira (29,8%) e pelos empregados do setor privado sem carteira (22,9%). Já entre os trabalhadores domésticos com carteira, o percentual de afastados foi de 16,6%. “Claramente os trabalhadores domésticos sem carteira foram os mais afetados pela pandemia. Parcela expressiva deles tem renda média abaixo de um salário mínimo. Já os com carteira foram menos afetados porque têm mais estabilidade”, explicou Cimar Azeredo, diretor adjunto de pesquisas do IBGE.

O retrato trazido pela pesquisa, sobre uma situação pior do trabalhador informal, mostra a realidade do mercado de trabalho dual brasileiro. Por não ter nenhuma proteção, o trabalhador informal é quem sente o primeiro impacto de crises econômicas. São esses postos de trabalho que fecham primeiro. Porém, em caso de retomada, esses postos serão os primeiros a reaquecer. No caso do trabalhador formal, que tem como forma de proteção a legislação trabalhista, o dinamismo de demissões e contratações é menor. O alto custo para demitir faz com que esses reflexos cheguem posteriormente a esse mercado. A reação, em contrapartida, também é mais lenta, devido a burocracia.

 

Continua após a publicidade

Do total de ocupados, 65,4 milhões não estavam afastados, o equivalente a 77,5% dos ocupados. Entre esse grupo, cerca de 8,7 milhões, estavam trabalhando de forma remota. Segundo o IBGE, Qqanto maior o nível de instrução, maior foi o percentual de pessoas que trabalhavam remotamente. Para as pessoas com nível superior completo ou pós-graduação, 38,3% estavam trabalhando  em regime de home office; médio completo e superior incompleto, 7,9%; fundamental completo e médio incompleto,1,7% e sem instrução ou com fundamental incompleto, 0,6%. “É um cenário esperado, pois trabalhadores de nível superior estão envolvidos em atividades mais passíveis de serem realizadas de forma remota, como professores, analistas, técnicos de TI etc”, afirma Azeredo.

Queda na renda

De acordo com a pesquisa, caiu o número de horas trabalhadas para as pessoas que continuaram trabalhando.  27,9% delas trabalharam efetivamente menos horas que as habituais (18,3 milhões), fazendo com que a média passasse de 39,6 horas habituais por semana e para 27,4 horas de fato trabalhadas. Também caiu o rendimento efetivo dos trabalhadores, ficando cerca de 18% menor do que o habitualmente recebido. O rendimento habitual de todos os trabalhos no país ficou, em média, em 2.320 reais e o efetivo em 1.899 reais, ou seja, o efetivo representava 81,8% do habitualmente recebido.

A diminuição de jornada e salários é uma das consequências do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda (BEM), engendrado pelo governo para evitar demissões em massa do mercado fornal. A iniciativa permite que empresas cortem jornada e salário de seus empregados, enquanto o governo banca um subsídio com base no seguro-desemprego, equivalente ao percentual de corte. O programa, que em maio tinha cerca de 8 milhões de contratos celebrados, permite redução de 25%, 50% e 70% da jornada e salário, ou suspensão de contrato.

Segundo a pesquisa, no Brasil, 38,7% dos domicílios receberam algum auxílio relacionado à pandemia. O valor médio recebido foi de 847 reais. Além do Bem, há também o pagamento do Auxílio Emergencial a trabalhadores informais, no valor de 600 reais.

Publicidade