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Copom eleva Selic em 0,5 ponto — a 13,25% ao ano

Trata-se do quinto aumento consecutivo da Selic, que permanece no maior patamar desde dezembro de 2008, quando chegou a 13,75% ao ano

Por Teo Cury Atualizado em 5 jun 2024, 04h49 - Publicado em 29 abr 2015, 19h58

O Banco Central subiu a taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual nesta quarta-feira, para 13,25% ao ano, sem viés, em decisão unânime, em linha com as expectativas do mercado. Em comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC afirmou que a decisão foi tomada “avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação”.

Trata-se do quinto aumento consecutivo da Selic, que permanece no maior patamar desde dezembro de 2008, quando chegou a 13,75% ao ano. A reunião foi a primeira em que a mesa era composta de dois novos diretores: Otávio Ribeiro Damaso (Regulação) e Tony Volpon (Assuntos Internacionais).

A decisão era esperada por economistas do mercado financeiro, diante da necessidade do BC de tentar trazer a inflação ao centro da meta. A prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de abril mostra alta de 1,07% – o maior patamar para o mês desde 2003.

Na ata da última reunião do Comitê, ocorrida no início de março, o BC reconheceu que os juros altos vão prejudicar o desempenho já tímido da economia brasileira. Contudo, com a aceleração dos preços no país, o Copom entendeu que seu dever, neste momento, deve ser perseguir a meta de inflação, cujo centro é 4,5%, visando o longo prazo.

No mesmo documento, o Comitê também pontuou a necessidade de mostrar foco no controle da inflação no curto prazo, para ajudar na melhora das expectativas dos agentes econômicos e, em particular, dos formadores de preços.

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“O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços.”

Crédito – A elevação dos juros ocorre num cenário de aperto nas operações de crédito ao consumo. Na segunda-feira, a Caixa Econômica Federal anunciou a redução de 80% para 50% do limite de crédito para compra de imóveis usados com recursos da caderneta de poupança – medida que deve impactar essa modalidade de financiamento em todas as instituições financeiras.

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Projeções – O impacto sozinho da alta desta quarta não deve elevado, na avaliação do economista da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira. “O problema está em todo o conjunto de elevações. Se olharmos as altas sucessivas desde 2013, o impacto é muito forte”, diz. Oliveira prevê a elevação dos juros em 0,25 ponto porcentual na próxima reunião.

Tal projeção também é compartilhada pelo economista-chefe da Gradual Investimentos, André Guilherme Pereira Perfeito, que prevê ainda a Selic a 14,5% ao final de 2015. Segundo Perfeito, a oscilação cambial do início deste ano está afetando em cheio os preços e o BC já sinalizou que manterá a política de aperto enquanto o IPCA mostrar tendência de alta. “Há um efeito inflacionário nítido, que reflete no preços dos alimentos e vestuários, por exemplo. Por isso, o BC deve subir forte os juros para cortar forte mais para a frente”, avalia.

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Expectativas – Perfeito explica que a elevação dos juros não tem como efeito direto afetar a renda da população, e sim as expectativas dos formadores de preço, como empresas do setor elétrico e de alimentos, por exemplo. Mas como a renda sofre indiretamente, há o impacto posterior, que é de recuo inflacionário. “O BC cria essa situação de piora no curto prazo, que afeta a renda das pessoas. Mas, depois de um tempo, conforme a renda cai, a inflação é segurada, assim como as expectativas dos economistas”.

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