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Apesar do coronavírus, governo diz que economia ainda vai acelerar em 2020

Equipe econômica reconhece impactos da epidemia e reforça necessidade de reformas para manter PIB acima de 2%

Por Felipe Mendes - Atualizado em 11 mar 2020, 14h16 - Publicado em 11 mar 2020, 13h05

Diante do avanço do surto do novo coronavírus (covid-19) na economia global, o Ministério da Economia decidiu revisar a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020. A projeção, divulgada no Boletim Macrofiscal, pela Secretaria de Política Econômica nesta quarta-feira, 11, é que o país cresça 2,1% – 0,3 ponto percentual abaixo da estimativa anterior, mas ainda acima do avanço do país de 1,1% em 2019.

A medida já era esperada. Na segunda-feira, 9, analistas do mercado financeiro reduziram a projeção de crescimento para a economia brasileira para um patamar abaixo de 2% neste ano. A estimativa do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), é de que a economia cresça 1,99%. Em evento na terça-feira, 10, o secretário especial da Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, já havia dado indícios do corte para o PIB.

Apesar do momento de cautela, espera-se que a economia cresça num patamar acima em relação aos últimos três anos. Em 2019, o PIB teve desempenho tímido: alta de apenas 1,1%. “É difícil fazer uma projeção confiável num momento de tanta incerteza como estamos vendo por causa do coronavírus. Ninguém sabe ainda ao certo os efeitos que a doença terá sobre a economia. Pode ser que essa situação se agrave”, diz André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton.

Os novos dados do PIB serão levados em conta na confecção do próximo relatório bimestral de receitas e despesas, a ser publicado até o dia 22. Nele, o governo fará novas projeções de quanto arrecadará e quanto gastará, levando em conta os eventos ocorridos até aqui. Na véspera, Waldery já havia afirmado que o contingenciamento de recursos é “cenário mais provável” para garantir a meta de déficit primário de 124,1 bilhões de reais para o governo central. Com a receita ainda menor do que as despesas, o governo é forçado a bloquear recursos do Orçamento, o chamado contingenciamento, para evitar o descumprimento da meta fiscal. O tamanho do corte deverá ser anunciado na próxima semana.

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Segundo o documento, a economia brasileira tem mostrado sinais de continuidade do processo de recuperação do crescimento. O momento exige, no entanto, cautela perante as incertezas do ambiente internacional e as consequentes revisões de crescimento dos países desenvolvidos e emergentes. Para 2021, a projeção do governo é que o PIB cresça 2,5%.

“Há incertezas sobre o impacto que a queda no petróleo e a desaceleração no crescimento global podem produzir sobre a economia brasileira. É importante destacar que o cenário de crescimento para este ano tornou-se mais desafiador. Estamos monitorando de perto os desdobramentos do covid-19 e a recente queda no preço do petróleo e reafirmamos que a melhor resposta ao novo cenário é perseverar com as reformas fiscais e estruturais”, diz o documento.

A situação do petróleo, que perdeu boa parte de seu valor diante da guerra protagonizada por Arábia Saudita e Rússia, é vista pelo Ministério da Economia como uma faca de dois gumes. Se, por um lado, o novo patamar, com o barril abaixo dos 50 dólares, pode ser visto como “um choque positivo na oferta, diante da redução do custo dos insumos de produção”, por outro, o documento ressalta que “empresas muito alavancadas poderão ter dificuldades creditícias à frente, caso o preço do petróleo permaneça no patamar atual”. Além do PIB, o governo também revisou para baixo sua projeção para o IPCA: de 3,62% para 3,12%. A estimativa para 2021 do indicador que mede a inflação nacional é de 3,75%.

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