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Washington Olivetto: o Brasil com W

O publicitário morreu em 13 de outubro, aos 73 anos, no Rio de Janeiro

Por Redação Atualizado em 18 out 2024, 11h29 - Publicado em 18 out 2024, 06h00

É possível contar a história dos humores do Brasil, dos anos 1970 para cá, por meio do excepcional trabalho — e da infindável criatividade — do publicitário Washington Olivetto. Em 1978, ele criou o Garoto Bombril, estrelado pelo ator Carlos Moreno, que viveria até 2004 o mais longevo personagem de uma campanha de televisão, registrado no Guinness, o livro dos recordes. A timidez aflitiva, apesar do olho no olho, virou marca indelével e íntima de quem precisava de uma palha de aço com 1 001 utilidades. E quem há de esquecer aquele primeiro sutiã da marca Valisère, estrelado por uma menina de 12 anos em 1987, a atriz-mirim Patricia Lucchesi? Entre um e outro, fanático torcedor do Corinthians, Olivetto (que os amigos chamavam de “Oliveira”) construiria uma marca que ajudaria a traçar a transição política do país, que abandonava a ditadura.

A partir de um comentário do jornalista esportivo Juca Kfouri, em 1982, numa palestra na PUC de São Paulo, segundo o qual os jogadores do Corinthians, liderados por Sócrates, Casagrande, Wladimir e cia., começavam a experimentar a democracia, ele criou a marca “Democracia Corinthiana”. Depois, em um livro escrito a quatro mãos com o jornalista Nirlando Beirão, Olivetto resumiria aquele momento de eureca — um entre tantos, em movimento infinito: “Você sabe como são os publicitários: uma frase pode ser tudo em nossa vida”.

Atento ao cotidiano — que ajudava a construir, sublinhe-se —, em 1989, ano da primeira eleição presidencial desde o golpe militar de 1964, Olivetto teve a coragem e a inteligência de fazer um comercial para a televisão do calçado 752 da Vulcabras com dois opostos irreconciliáveis: Paulo Maluf e Leonel Brizola. Contudo, nunca se aventurou em campanhas políticas, tema que o incomodava tanto quanto o sequestro de que foi vítima, durante 53 dias, em 2001, que chamava, com o humor e a ironia possível, de “mico”.

Dono de mais de cinquenta Leões de Ouro do Festival de Publicidade de Cannes na categoria Filmes, na agência DPZ e depois em sua própria, a W/Brasil, ele nunca foi um sujeito modesto. Sabia da qualidade e da influência de suas invenções retóricas e visuais. Nizan Guanaes, um de seus pares, compara o impacto de Olivetto na propaganda ao de João Gilberto na música: “Antes dele, era uma publicidade americanizada”. Frasista incorrigível, instado a escrever uma lista de dez coisas a fazer antes de morrer, mandou esta: “Antes de morrer, preciso não morrer”. Olivetto morreu em 13 de outubro, aos 73 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de falência de múltiplos órgãos. Lidava com problemas pulmonares.

Publicado em VEJA de 18 de outubro de 2024, edição nº 2915

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