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Por que Hefner deve ficar com toda a diversão só para ele?

Por The New York Times - 21 jul 2010, 06h32

“Se eu vender, minha vida acabará.” Isso é o que Hugh Hefner, o fundador da Playboy de 84 anos, disse no ano passado sobre o império que fundou em 1953 ao repórter do New York Times. A Playboy vem lutando nos últimos anos, diante da concorrência da internet, mas se o gosto das gerações pode ter mudado, Hefner ainda não perdeu seu amor pelas loiras – ou por sua revista.

Isso talvez ajude a explicar por que Hefner anunciou na semana passada uma oferta para comprar todas as ações da Playboy Enterprises que ele ainda não possui. Em uma carta para a direção do grupo, da qual ele não é membro, Hefner revelou sua oferta de 185 milhões de dólares. Mas também fez algo mais simples: “Não estou interessado em qualquer venda ou fusão da empresa, vender minhas ações a terceiros ou entrar em discussões com outro patrocinador para a operação proposta na presente carta.” Em outras palavras, Hefner está interessado somente em vender suas coelhinhas para ele mesmo.

E se isso ainda não estiver claro, Hefner postou no Twitter nos dias seguintes à sua oferta. “Meu interesse em tirar a Playboy da bolsa deu vazão a alguns boatos malucos. A Playboy não está em jogo. Estou comprando, não vendendo”, disse o octogenário em um post.

Com 69,5% das ações classe A da Playboy, Hefner é o controlador de facto da empresa, ainda que possua apenas 33% das ações de classe B, onde está o maior valor comercial. Mas as ações classe B não têm direito a voto.

Como muitas companhias de mídia familiares, incluindo a New York Times Co., a Playboy tem duas classes de ações. Esse tipo de arranjo ajuda a família a manter o controle e protege a integridade editorial do produto quando surge um pretendente desagradável. Mas a oferta de Hefner leva a uma importante questão: Ele – ou qualquer outro dono na mesma situação – pode comprar sua própria empresa do público sem qualquer competição?

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A Playboy atraiu rivais. Poucos dias depois de Hefner fazer sua oferta, com um colossal prêmio de 40% sobre o preço da ação, o proprietário da revista Penthouse contra-atacou com uma oferta de 210 milhões. A FriendFinder Network, que controla a Penthouse, garantiu que manteria Hefner à frente dos negócios e que ele poderia viver em sua mansão.

Mas a oferta da Penthouse, 13% maior do que a de Hefner, provavelmente será em vão. O comitê especial de diretores independentes da Playboy, que avalia as ofertas, tem apenas uma escolha real: vender para Hefner ou nada. “A Penthouse está procurando por publicidade. Eles não estão na foto”, escreveu Hefner no Twitter.

Mas a empresa pode ignorar uma oferta assim? Por que os acionistas não podem avaliar ofertas concorrentes quando o sócio majoritário quer tirar a empresa da bolsa? David Miller, analista da Caris & Co., disse uma vez – com alguma morbidez – que a melhor coisa que podem acontecer para os acionistas da Playboy é a morte de Hefner. “Acreditamos que a morte do fundador poderia resultar em um pequeno aumento no preço das ações”, escreveu Miller em uma nota aos investidores, antes da oferta do fundadoR.

Para ser justo, os acionistas da Playboy compraram ações com os olhos bem abertos. A estrutura de duas classes de ações da empresa – e a visão de Hefner sobre nunca vendê-la – eram conhecidas há muito tempo.

O que Hefner quer fazer com a Playboy ainda não está claro. Em uma de suas mensagens regulares no Twitter, ele escreveu: “Se puder satisfazer os acionistas minoritários, creio que a Playboy em minhas mãos poderá ser revitalizada. Foi como nós começamos.” Depois de horas postando mensagens no Twitter, Hefner concluiu: “Vou passer a noite jogando dominó com as meninas. Qualquer jogo com as playmates é divertido.”

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