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Max Cavalera relembra início do Sepultura em nova banda com o filho caçula

Pai e filho lançam nesta sexta-feira, 11, o primeiro álbum da banda Go Ahead And Die, com músicas cruas e raivosas e letras sobre as mazelas sociais

Por Felipe Branco Cruz 11 jun 2021, 14h05

Normalmente, pais e filhos costumam se divertir jogando bola, videogame, acampando juntos – ou seja, coisas normais. Não no caso do Max Cavalera. O músico brasileiro, ídolo mundial do thrash metal, gosta mesmo de tocar guitarra e cantar músicas infernais com os filhos. Cinco anos atrás, ele saiu em turnê com sua banda, o Soulfly, tendo a companhia do filho Zyon, de 28 anos, na bateria. Agora, é a vez do caçula, Igor Amadeus, de 26 anos. Juntos, eles formaram a banda Go Ahead and Die, que lança nesta sexta-feira, 11, seu primeiro disco homônimo. “Quando eu ficava doente, meu pai brincava comigo com um autorama ou a gente ia jogar bola”, diz Max. “Eu vou tocar metal com meus filhos. Isso é uma coisa que realmente nos conecta”, completa o vocalista, que conversou em inglês com VEJA por videoconferência, ao lado do filho, que foi criado nos EUA e não fala bem português. Além de pai e filho, a formação do grupo conta com o baterista Zack Coleman, da banda Khemmis, uma das atuais promessas do metal europeu.

O projeto conta com onze faixas autorais, a maioria composta por Igor (que, além de dividir os vocais com o pai, também toca guitarra e baixo), com uma pegada de thrash e death metal digna dos primeiros álbuns do Sepultura, como Schizophrenia (1987) e Beneath the Remains (1989). “O Igor tem uma imaginação selvagem”, explica Max. As letras falam sobre temas da ordem do dia, como violência policial, racismo, desigualdades sociais e a pandemia de Covid-19. “De certa forma, este projeto me remete aos primeiros anos da minha carreira. Tem muito punk, thrash e tribal. É importante usarmos a música como uma arma contra as injustiças sociais”, explica Max.

Uma dessas faixas é Toxic Freedom, sobre racismo, corrupção e brutalidade policial. “Esse é um problema global”, diz Igor. “Pode acontecer em qualquer lugar do mundo. Se alguém ouvi-la no Brasil ou em Nova York vai se conectar com a letra. O som é old school, mas fala sobre problemas atuais. O disco Go Ahead and Die é uma espécie de ponte que conecta a minha geração com a geração do meu pai”. Faixas como Truckload Full of Bodies, que fala sobre como certos políticos em 2020 não cuidaram de seus cidadãos, e Roadkill, sobre os moradores de rua, dão o tom social do trabalho.

Pai e filho: Igor e Max Cavalera, e o baterista Zack Coleman, formaram a banda Go Ahead and Die -
Pai e filho: Igor e Max Cavalera, e o baterista Zack Coleman, formaram a banda Go Ahead and Die – Jim Louvau/Divulgação

O resultado é um álbum cru, sem nenhum uso de softwares de correção sonora, como Pro Tools, como se ele tivesse sido gravado no final dos anos 1980. Os vocais são raivosos e, quase sempre, acompanhados de guturais infernais, ora entoados por Max, ora por seu filho. “Quando eu comecei na música, lá atrás, entrávamos no estúdio e gravávamos de primeira. E foi assim que fizemos agora”, diz Max.

O nome da banda é um caso a parte. Eles descobriram que entre os japoneses, o xingamento mais próximo de “vai se f****” é “vá em frente e morra”. Igor, então, sugeriu que adotassem a expressão. “Amo o fato de que os japoneses são tão polidos. Tem um pouco de ironia no título. Queríamos dizer um grande ‘f***-se para todo mundo”, diz Igor. E esse processo de composição começou no deserto do Arizona, no estúdio de Max, onde pai e filho passavam de três a quatro dias por semana, tocando música e assistindo filmes de terror antigos em VHS. “Só não achei os filmes do Zé do Caixão”, lamenta Max.

Depois que deixou o Sepultura, em 1996, Max fundou várias outras bandas. A mais famosa, Soulfly, continua na estrada. Mas, além dela, ele também faz parte do Cavalera Conspiracy, formado com o irmão, o baterista Iggor, e Killer Be Killed, um supergrupo com integrantes de The Dillinger Escape Plane, Mastodon e Mars Volta. É como se Max tivesse uma banda para cada tipo de estilo musical que quisesse tocar. “Eu estou no metal porque não há regras. É assim que vivo a minha vida. Ninguém vai me dizer quantas bandas eu devo tocar e a minha carreira vai do thrash, groove, tribal e até mesmo no doom metal. A única coisa que importa é eu me divertir”.

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