Datas: Jerry Lee Lewis e Mike Davis
O pianista que mudou o rock e o escritor que traduziu Los Angeles
Por muito tempo, quando algum homem branco dizia ser pianista, a primeira coisa que vinha à cabeça era se tratar de um músico clássico. O americano Jerry Lee Lewis revolucionou essa noção. Autodidata, ele transformou o instrumento em algo perigoso e incendiário. Em seu maior sucesso, Great Balls of Fire, de 1957, canção de letra e ritmo insinuantes, teclava as notas em cadência vertiginosa e chegava a pisar no instrumento, postura que lhe rendeu o apelido de The Killer (O Matador). A carreira do músico começou quase por acaso. Quando tinha 21 anos, soube que Elvis Presley tinha saído da gravadora Sun Records e que ela buscava uma nova estrela do rock. Com seu jeito impulsivo e irresponsável, bateu à porta do estúdio. Deu certo.
Seu primeiro lançamento, Whole Lotta Shakin’ Goin’ On, também de 1957, se tornou um sucesso e ele foi alçado ao posto de celebridade nacional, rivalizando com o próprio Elvis. A fama, no entanto, cobrou um preço alto. Aos 23 anos, a imprensa descobriu que Lewis havia se casado com sua prima de segundo grau de apenas 13 anos e ele foi acusado de pedofilia. Nos anos seguintes, caiu no ostracismo, envolveu-se com drogas e álcool. Sofreu de depressão, fazendo só pequenos shows com cachês baixos. Nos anos 1970, porém, foi redescoberto e devidamente reconhecido como um dos pioneiros do rock. Com a saúde frágil desde 2019, depois de sofrer um derrame cerebral, morreu aos 87 anos na sexta-feira, 28 de outubro, em sua casa, em Memphis.
A tradução de Los Angeles
Centenas de produções de Hollywood iluminaram o cotidiano de Los Angeles, na Califórnia — metrópole associada a diversão mas também ao crime. Chinatown (1974), de Roman Polanski; O Grande Lebowski (1998), dos Irmãos Coen; e Mullholland Drive (2001), de David Lynch, são obras-primas que traduziram as contradições daquele aglomerado urbano repleto de polêmicas, magnético e misterioso. Mas ninguém soube entender melhor L.A. do que o sociólogo, jornalista e ativista político americano Mike Davis. É dele um livro clássico instantâneo de nosso tempo, Cidade de Quartzo, de 1990, volume com mais de 400 páginas, crônica de disparidades e injustiças. Os vilões são prefeitos corruptos, chefes de polícia racistas e empreendedores inescrupulosos.
Em 1992, quando um júri popular absolveu um grupo de policiais brancos da acusação de terem usado força excessiva na prisão de um negro, o operário de construção civil Rodney King, houve uma sucessão de protestos — e não demorou para que os estudiosos daquele momento histórico bebessem das ideias de Davis, que parecia ter compreendido a gênese do desconforto social muito antes de seus pares. Ele morreu em 25 de outubro, em San Diego, aos 76 anos, de câncer no esôfago.
Publicado em VEJA de 9 de novembro de 2022, edição nº 2814
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