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Caroline Jane: sucesso depois dos 40

Ex-passeadora de cães, a inglesa se converteu na autora de best-sellers juvenis de terror C.J. Tudor

Por Amanda Capuano
30 ago 2019, 07h40 • Atualizado em 4 jun 2024, 15h55
  • A inglesa Caroline Jane já teve de se virar nos trinta para sobreviver: escreveu roteiros de rádio, atuou como dubladora, foi repórter e redatora. Mas não se sentia realizada nessas atividades. “Nunca gostei de trabalhar com outras pessoas. Acho que isso era parte do problema”, contou ela a VEJA. Caroline Jane empreendeu, então, uma radical guinada na vida. Trocou os empregos convencionais pela companhia animal: foi ganhar seu pão como passeadora de cães. Nas horas vagas dos rolês com os bichos, resolveu engatar uma carreira tardia de escritora. Rejeitada pelas editoras por anos a fio, ela só conseguiu publicar seu primeiro livro aos 46 anos. A partir daí, porém, mostraria um faro formidável para conquistar leitores. Caroline Jane — ou C.J. Tudor, alcunha pela qual é conhecida — tornou-se uma autora best-seller logo com seu romance de estreia.

    Lançado em janeiro de 2018, O Homem de Giz é um thriller de terror que caiu no gosto do público americano e inglês (são mais de 200 000 exemplares vendidos nos EUA e na Inglaterra) e, notadamente, dos brasileiros (a editora Intrínseca já comercializou 110 000 cópias). O livro deve virar programa da rede BBC e figura há 39 semanas na lista dos mais vendidos de VEJA. Um êxito tão inesperado que fez a autora tremer nas bases. “É um pouco assustador quando seu primeiro livro faz tanto sucesso, pois você se vê na necessidade de escrever um segundo à altura”, diz C.J., que, neste sábado, 31, será uma das atrações da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

    C.J. venceu a maldição do primeiro livro: seu segundinho, O que Aconteceu com Annie, foi lançado em maio e já soma 35 000 cópias vendidas no país. A autora explora veio similar ao da série Stranger Things. Assim como a atração da Netflix, seus livros apetecem aos jovens e a seus pais quarentões ao unir mistério juvenil à ambientação idílica nos anos 80 — só que, em vez do interior americano, a história tem como cenário a Inglaterra. São thrillers de leitura fácil, francamente inspirados, ainda, no estilo de um Stephen King — que é seu fã.

    O Homem de Giz comunga de outra semelhança com Stranger Things: crianças (e suas bicicletas) catalisam a história. Os protagonistas brincam de desenhar no chão, com giz, o contorno de corpos à maneira das marcações de cenas de crimes. Certo dia, desenhos similares começam a aparecer na cidadezinha onde vivem — e um cadáver real é encontrado por eles na floresta. Enquanto no primeiro livro os personagens infantis são pequenos aventureiros, no segundo eles estão mais para demônios de rosto angelical. “A coisa mais assustadora é a quebra de inocência que crianças macabras propiciam”, explica C.J.

    A autora lança luz sobre um problema que também vem sendo muito debatido na ficção televisiva: o bullying. Em O que Aconteceu com Annie não faltam os protótipos do valentão e do aluno oprimido. C.J. se diz sortuda nisso: não sofreu tanto na mão dos primeiros, embora não fosse exatamente popular. “A escola é uma selva que às vezes faz emergir o pior das crianças, em uma fase de grande vulnerabilidade”, afirma a escritora — que é mãe de uma garota de 6 anos. Em tempo: a rotina de Caroline Jane não é mais a mesma. Bem-sucedida depois dos 40 anos, ela só passeia com suas próprias cadelas, as weimaraners Doris e Betty.

    Publicado em VEJA de 4 de setembro de 2019, edição nº 2650

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