Bell Hooks, escritora e ativista do feminismo negro, morre aos 69 anos
Autora debruçou-se sobre a temática feminina sob a perspectiva de mulheres negras e publicou mais de 30 obras ao longo da vida

Bell Hooks, escritora americana e ativista do feminismo negro, autora de mais de 30 obras com temáticas que discutem a relação entre raça, gênero e capitalismo, morreu nesta quarta-feira, 15, aos 69 anos. A autora já estava doente há algum tempo e morreu em casa rodeada de familiares e amigos. A informação foi confirmada à imprensa por sua sobrinha Ebony Motley.
Nascida em 1952 na cidade de Hopkinsville, em Kentucky, Hooks foi batizada como Gloria Jean Watkins, mas adotou o pseudônimo na carreira acadêmica em homenagem a bisavó. Seu primeiro livro, a coleção de poesias And There We Wept, foi publicado em 1978. Dois anos depois, em 1981, debruçou-se sobre a temática feminina em E eu não sou uma mulher? Mulheres negras e o feminismo, que aponta incongruências no movimento sufragista, emergindo como uma das principais pensadora do feminismo negro. Sua definição de feminismo, “um movimento para acabar com o sexismo, a exploração feminina e a opressão” é até hoje um dos conceitos mais citados sobre o tema.
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Em 1984, publicou Teoria Feminista: da margem ao centro, em que argumenta que o feminismo da época marginalizou uma série de vozes ao adotar o mote da igualdade perante os homens como se todas as mulheres fossem igualmente afetadas pelas mazelas sociais. “Mulheres em classes mais baixas e grupos pobres, particularmente aquelas que não são brancas, não teriam definido a libertação feminina como mulheres ganhando igualdade social com os homens, uma vez que são continuamente lembradas em suas vidas cotidianas de que nem todas as mulheres compartilham um mesmo status social,” escreveu na obra.
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Filha de zelador e de uma empregada doméstica, Bell foi educada em escolas segregadas e descreveu em suas obras as dificuldades que enfrentou na transição para um sistema onde negros e brancos ocupavam as mesmas salas de aula, com professores e alunos predominantemente caucasianos. Formada em inglês na Universidade de Standford, ela seguiu na carreira acadêmica, e em 1983, completou um doutorado em literatura na Universidade da Califórnia com uma dissertação sobre a autora Toni Morrison. No total, assinou mais de 30 obras com temáticas que discutem a relação entre raça, gênero e capitalismo. Em Ensinando a Transgredir – A Educação Como Prática da Liberdade, de 1994, dedica um dos capítulos ao brasileiro Paulo Freire, e também tinha Malcom X e Martin Luther King Jr. como influência.
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