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Baz Luhrmann a VEJA: “Elvis é metáfora da América”

Conhecido por musicais como 'Moulin Rouge' (2001), o diretor australiano de 59 anos fala da experiência de fazer a cinebiografia do cantor

Por Felipe Branco Cruz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jul 2022, 06h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 11h24
Baz Luhrmann a VEJA: “Elvis é metáfora da América” Priorizar nos meus resultados Google
LEGADO - Baz Luhrmann: “O rei do rock é a pessoa mais parodiada do mundo” -
LEGADO - Baz Luhrmann: “O rei do rock é a pessoa mais parodiada do mundo” – (Karwai Tang/WireImage/Getty Images)

A imagem que muitos têm de Elvis Presley (1935-1977) é a do astro decadente do fim da vida. Por que preferiu mostrar no filme um Elvis jovem e mais alto-astral? De muitas maneiras, Elvis sempre foi um divertido símbolo da América. Nos anos 1950, ele foi vital, punk e rebelde. Na década de 60, foi o ator mais bem pago de Hollywood. Finalmente, nos anos 1970, tornou-se aquele artista gordo caindo aos pedaços. Ele foi o primeiro ícone pop global — e uma metáfora da América daquele período. É quase inacreditável que tenha vivido só 42 anos.

Priscilla e Lisa Marie Presley, viúva e filha do cantor, tiveram algum poder sobre o filme? De jeito nenhum. Eu me encontrei com elas, claro, mas perdi o contato. Priscilla foi cínica, compreensivelmente, sobre a atuação de Austin Butler. Ela estava preocupada com o que faríamos com a história de seu marido. Mas as duas não ditaram nada.

Como retratar Elvis sem cair na caricatura? Foi uma pergunta que me fiz muitas vezes, porque Elvis é a pessoa mais parodiada do mundo. Mas personificação e atuação são coisas diferentes. Grandes imitadores não são, necessariamente, grandes atores. Muitos conseguem imitar a voz de Elvis, mas não interpretá-lo.

O senhor se notabilizou por filmes musicais como Moulin Rouge. Como essa experiência o ajudou em Elvis? O filme não é um musical, mas é quase operístico. Eu credencio o resultado à minha equipe. Adoro trabalhar com músicos, produtores, compositores. Amo essa parte do processo.

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Elvis foi acusado de ser um branco que se apropriou da cultura negra. Como vê essa crítica? Eu não tive nenhuma preocupação com isso no filme, por uma razão simples: sem a música negra, Elvis jamais existiria. Elvis cresceu em uma comunidade negra, frequentou igrejas gospel. Era pobre e seu pai chegou a ser preso. O que eu fiz foi mostrar essa parte da história.

Por que investiu numa trilha sonora moderna, com canções de Elvis interpretadas por artistas contemporâneos? As músicas de Elvis são clássicas e estão lá no filme. Mas quis também convidar o Jack White, que gravou um dueto póstumo com ele. O Coronel Parker (empresário do cantor) jamais deixou Elvis fazer dueto. Então, você tem a música como era e como ela poderia ter sido. E mixei Viva Las Vegas com Toxic, de Britney Spears, para que os jovens sintam como Elvis era pop.

Publicado em VEJA de 27 de julho de 2022, edição nº 2799

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