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“Temos que continuar quebrando correntes”, diz Erika Januza

No Dia da Consciência Negra, atriz conta a experiência de narrar o audiolivro "Úrsula", de Maria Firmina Reis, primeira romancista negra do país

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 20 nov 2023, 17h59 - Publicado em 20 nov 2023, 14h15

A maranhense Maria Firmino dos Reis foi a primeira mulher a publicar um romance, Úrsula, no Brasil. Era 1859 e sendo uma mulher negra, professora e militante de causas da educação, quebrou barreiras, não só pelo pioneirismo, mas por ter dado voz a personagens escravizados, mesclando a história de amor entre os jovens Úrsula e Tancredo com as dificuldades e preconceitos que os negros enfrentavam no país, naquela época.

Agora, em homenagem ao Dia da Consciência Negra, celebrado na nesta segunda-feira 20, a obra de temática abolicionista será lançada em forma de audiolivro pela Audible Brasil, serviço de audiolivros da Amazon, e narrado por Erika Januza. “É um romance abolicionista, de um tempo em que as mulheres não tinham voz, principalmente uma mulher negra. Então Maria Firmina quebrou correntes, dando voz de verdade a personagens negros, tirando da posição de subalternos, que não têm história, não têm vida”, diz ela, que acrescenta: “A obra dela é atemporal. É uma história que parece antiga, mas, na verdade, tem muito com o que vivemos hoje. Nos mostra como estamos atrasados e que temos que continuar tentando quebrar essas correntes como ela fez.”

A atriz, que já anda experimentando novos caminhos pelas plataformas de streaming – ela estreia a série de fantasia A Magia de Aruna como uma das primeiras bruxas brasileiras da Disney e está no elenco da novela Dona Beja, da HBO Max –, também resolveu se aventurar pela narração do audiolivro, experiência que quer repetir. “Gostei muito de fazer, não só pelo trabalho em si, em que tive total liberdade de colocar os meus sentimentos, sem interpretar, mas também pela importância do assunto e por ser mais uma forma de levar acessibilidade, cultura e conscientização para mais pessoas.”

Outro Português

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Para realizar a narração da obra, de linguagem rebuscada, Januza conta que o trabalho foi muito além das cinco sessões de 5 horas de narração. Envolveu uma grande pesquisa, em especial, para entender as palavras que não são mais usadas nos dias de hoje. “Era um outro português. E o livro foi narrado integralmente, como estava ali. Então, para dar a ideia correta do significado das palavras, usei a entonação. É a forma que você fala que faz diferença no sentido daquela palavra”, conta.

Em épocas de podcast, a atriz acredita que o audiolivro pode conquistar o público, principalmente os mais jovens. “Espero que vire moda ter acesso à literatura também por meio de áudio, para que os livros voltem a estar mais presentes e as pessoas se preencham de novos conhecimentos”, afirma a atriz, que já se prepara para também assumir um papel de mulher guerreira no Carnaval, como rainha de bateria da Viradouro. “Será o enredo da escola. E sempre presto homenagens, já estou preparando surpresas.”

O audiolivro de Úrsula estará disponível gratuitamente por um mês a partir desta segunda-feira, 20, assim como outros dois clássicos da literatura mundial, também narrados por vozes negras: Drácula, interpretado pelo ator Fabricio Boliveira, e Alice no País das Maravilhas, que tem seus diversos personagens narrados pela jovem atriz brasileira Gabz. Para ouvir ou baixar os títulos, acesse https://www.audible.com.br ou o aplicativo Audible, selecionando o serviço brasileiro e o nome do título.

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