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Black das Blacks: VEJA com preço absurdo

Cresce a oferta de passeios inspirados por cenas emblemáticas de clássicos da literatura

Movimento fascina ao mesclar passado e presente

Por André Sollitto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 nov 2025, 08h00

O passeio começa pelo Antigo Cemitério Judaico de Praga e passa pela Sinagoga Velha-Nova, a mais antiga da Europa. O panfleto turístico dá a deixa do que podem esperar os visitantes: “aprender a história do maior manuscrito medieval do mundo, praticar a leitura de símbolos ocultos na arquitetura com revelações e significados que muitas vezes fogem ao olhar comum”. O itinerário passa pela Ponte Carlos, construída entre 1357 e 1402, e pela Antiga Câmara Municipal. Nem todos são destinos óbvios da capital tcheca. Mas têm algo em comum: são locais visitados pelo professor de iconografia religiosa Robert Langdon, personagem de O Segredo Final, best-seller do escritor Dan Brown ambientado em Praga. Buscar destinos literários é fenômeno que ganha relevo em países europeus, mas também nos Estados Unidos, em nações da América Latina e inclusive no Brasil.

Tome-se a estatística ao pé da letra. Relatório da consultoria de mercado Future Market Insights mostra que o turismo literário movimentou 2,4 bilhões de dólares em 2024, e projeções indicam valor de até 3,3 bilhões de dólares em 2034. Uma pesquisa feita em 2025 pela plataforma de viagens Kayak vai direto à página certa: metade dos viajantes britânicos escolhe os passeios com base no potencial de leitura e aprendizado que oferecem. Entre os millennials, as pessoas nascidas entre 1981 e 1996, a taxa sobe para quase 60%. O fenômeno está conectado a uma vertente conhecida como slow tourism, o turismo lento. A ideia é mergulhar de forma mais profunda na cultura de alguns lugares específicos, aprendendo os hábitos e curiosidades locais em vez de passar pela maior quantidade possível de paradas em um curto período de tempo, tirando fotos para postar nas redes sociais, como acontece com frequência.

JANE AUSTEN - Os 250 anos de nascimento da autora de Emma e Orgulho e Preconceito: na rota de Hampshire
JANE AUSTEN – Os 250 anos de nascimento da autora de Emma e Orgulho e Preconceito: na rota de Hampshire (David Marten/Alamy/Fotoarena; Stock Montage/Getty Images)

Dentro desse inteligente mercado, há agências especializadas em criar roteiros literários. A Books in Places, criada pelo inglês Paul Wright em 2023, tem jornadas programadas para Monroeville, no Alabama, onde se passa O Sol É para Todos, de Harper Lee (1926-2016); para o Egito, cenário de Morte no Nilo, clássico de Agatha Christie (1890-1976); e para a Jamaica, ambientação escolhida por Ian Fleming (1908-1964) em 007 contra o Satânico Dr. No. Há ainda apreço pelas efemérides, como os 250 anos do nascimento de Jane Austen (1775-1817) para visitar uma série de locais onde a escritora viveu e se inspirou para criar seus romances. O itinerário na Inglaterra passa, por exemplo, pela Igreja de São Nicolau em Steventon, em Hampshire, onde seu pai, dois de seus irmãos e seu sobrinho eram reitores e onde a própria Jane foi batizada, na primavera de 1776. O destaque é a parada em Chawton, onde viveu e escreveu obras como Orgulho e Preconceito e Emma.

No Brasil existem iniciativas que promovem o turismo embebido de letras em regiões de grande relevância histórica. Em Minas Gerais, por exemplo, o Circuito Guimarães Rosa busca fomentar a visitação em locais que inspiraram a obra do autor. O projeto começou em Morro da Garça e hoje tem doze municípios parceiros. Em Curitiba, há projetos que levam visitantes a pontos de interesse relacionados à vida e ao trabalho de Paulo Leminski (1944-1989) e Dalton Trevisan (1925-2024). Na Colômbia, há uma fascinante trilha que passa por Santa Marta, Cartagena e Aracataca, onde o ganhador do Nobel Gabriel García Márquez (1927-2014) nasceu e em que se baseou para criar Macondo, a cidade do fim dos tempos de Cem Anos de Solidão.

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GUIMARÃES ROSA - Morro da Garça, em Minas Gerais: um dos endereços que inspiraram a obra do gênio
GUIMARÃES ROSA – Morro da Garça, em Minas Gerais: um dos endereços que inspiraram a obra do gênio (Circuito Guimarães Rosa; Folhapress/.)

Os livros, portanto, são como guias — só que mais cativantes. Andam no passado, mas tingidos de presente, em rico diálogo. Como escreveu o autor Paul Theroux, especializado em obras com relatos forasteiros: “O desejo de viajar é caracteristicamente humano: a vontade de se movimentar, de satisfazer a curiosidade ou aliviar os medos, de mudar as circunstâncias da vida, de ser um estrangeiro, de fazer um amigo, de vivenciar uma paisagem exótica, de se aventurar no desconhecido”. Melhor ainda se for ancorado em grandes clássicos.

Publicado em VEJA de 21 de novembro de 2025, edição nº 2971

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