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Importação de cannabis medicinal bate recorde no Brasil em 2025

Alta nas autorizações da Anvisa revela expansão do uso medicinal e limitações da oferta nacional

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 fev 2026, 19h15 • Atualizado em 12 fev 2026, 19h39
  • Desde 2019, os brasileiros podem adquirir em farmácias produtos à base de canabidiol (CBD), principal composto terapêutico derivado da cannabis. Ainda assim, a importação individual — um processo mais burocrático, que exige autorização prévia e depende de envio internacional — segue em expansão. No ano passado, essa modalidade bateu recorde. Foram concedidas 194.682 autorizações para importação de produtos à base de cannabis, um crescimento de 16,3% em relação ao ano anterior e o maior volume desde o início da série histórica. O dado reforça a consolidação do mercado medicinal no país.

    O levantamento foi realizado pela Cannect, empresa especializada em tratamentos com cannabis medicinal, suplementos e terapias integrativas, com base em informações obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto ao governo federal. O pico mensal ocorreu em outubro, quando a Anvisa emitiu 19.710 autorizações para importação. Para efeito de comparação, em 2015 — ano em que a agência reguladora passou a permitir a importação excepcional para uso pessoal mediante prescrição médica — foram concedidas apenas 850 permissões.

    O que explica o crescimento expressivo? Em primeiro lugar, a redução do estigma em torno da cannabis medicinal. O CBD passou a ser reconhecido como terapia adjuvante eficaz para sintomas associados a condições como epilepsia refratária, dor crônica, esclerose múltipla e transtornos do espectro autista, entre outras. Além disso, o avanço da importação reflete limitações da oferta no mercado nacional. “Há uma busca constante dos profissionais prescritores por formulações mais complexas, como produtos broad spectrum e full spectrum, que ainda são pouco disponíveis no Brasil”, afirma Allan Paiotti, CEO da Cannect. Também há demanda por compostos derivados de outros canabinoides, como CBG (canabigerol), CBN (canabinol) e THCV (tetrahidrocanabivarina). Em muitos casos, médicos associam diferentes compostos da planta para obter respostas terapêuticas mais individualizadas. Por último, o preço em geral é menor que o produto adquirido nas farmácias regulares, quesito que sempre pesa na decisão e no orçamento do consumidor. 

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