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Comportamento gentil e bondoso é mais comum do que se imagina, diz estudo

Pesquisa revela que pessoas pedem ajuda a cada dois minutos, e resposta é quase sempre positiva

Por Marília Monitchele Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 abr 2023, 17h39 •
  • “Gentileza gera gentileza”, disse o Profeta Gentileza, pregador urbano e figura popular no Rio de Janeiro, até os anos 1990. E não é que ele, cujo nome civil era José Datrino, estava certo? Uma pesquisa feita por um grupo multinacional de cientistas  avaliou comportamentos humanos em áreas urbanas e rurais e revelou que pessoas solicitam ajuda constantemente e, surpreendentemente, esses pedidos são atendidos com uma frequência muito maior do que são negados ou ignorados. Os dados coletados sugerem que pessoas de culturas diferentes têm comportamentos cooperativos mais próximos do que pesquisas anteriores postularam. 

    O objetivo da pesquisa era explorar os limites da capacidade humana de cooperação. Em sua abordagem, os cientistas notaram que pessoas sinalizam a necessidade de ajuda, como pedir assistência em alguma tarefa doméstica, por exemplo, cerca de uma vez a cada dois minutos. Esses pedidos de ajuda, na grande maioria das vezes, não ficam sem resposta. Em geral, nas mais diversas culturas, as pessoas costumam responder de forma positiva. Nas raras ocasiões de recusa, há um costume disseminado de explicar os motivos para tal. 

    Ao transcender diferenças culturais, essas tendências sugerem que os seres humanos têm comportamentos cooperativos muito semelhantes entre si. Essas descobertas ajudam a trazer novas perspectivas para pesquisas antropológicas e econômicas anteriores, que indicam que variações culturais interferem diretamente em gestos de cooperação.

    Avaliações anteriores propõem que a gentileza para com o próximo é diretamente regida por normas e regras baseadas em preceitos culturais.  Por exemplo, enquanto os caçadores de baleias de Lamalera, na Indonésia, seguem regras estabelecidas sobre como dividir uma grande captura, os forrageadores hadza, da Tanzânia, compartilham mais sua comida por medo de gerar comentários negativos. No Quênia, espera-se que os aldeões mais ricos de Orma paguem por bens públicos, como projetos de estradas. Aldeões ricos Gnau de Papua Nova Guiné, por outro lado, rejeitariam tal oferta porque ela cria uma estranha obrigação de retribuir por seus vizinhos mais pobres.

    Para tentar estabelecer métricas de análise, os pesquisadores estudaram mais de 40 horas de gravações que captavam a vida cotidiana de cerca de 350 pessoas em locais geográfica, linguística e culturalmente diversos. Os comportamentos prioritariamente analisados envolviam o envio de sinais de ajuda, como um pedido ou sugestão de dificuldade em realizar uma tarefa sozinho. As situações envolviam empenhos de baixo ou nenhum custo, como emprestar um objeto ou ajudar em alguma atividade doméstica. Os autores defendem que decisões desse tipo são muito mais rotineiras do que decisões de custos mais expressivos, como dividir uma caça ou contribuir em obras públicas. 

    Os resultados mostram que somos muito mais gentis do que muitos podem supor. As médias de rejeição ficaram em torno dos 10%, enquanto as respostas positivas chegaram a taxa expressiva de 79%, em 11% dos casos, os pedidos foram ignorados. As variações culturais não afetaram de forma significativa os resultados, bem como o fato de as interações serem estabelecidas entre familiares ou não familiares. A principal conclusão é que, ao menos em uma micro escala de pequenas decisões de baixo custo, a gentileza pode ser considerada um reflexo arraigado na espécie humana. 

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