Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Abril Day: Assine VEJA por apenas 9,90

Carla Góes: “O tabu precisa acabar”

A cirurgiã que se notabilizou por recuperar faces de mulheres agredidas diz que a luta contra a violência doméstica deve começar na escola — e já

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 fev 2026, 08h00 •
  • Qual o maior desafio de seu trabalho de quase uma década com mulheres agredidas? A maior dificuldade está no apoio da sociedade. A violência contra a mulher ainda é um assunto tabu, silencioso, escondido debaixo do tapete. Minha função é tirá-lo desse lugar para que seja discutido e combatido. As pessoas precisam entender que se trata de uma questão de saúde pública, presente em todas as classes sociais. O Brasil é o quinto país com o maior número de casos no mundo, registrando um alto índice de feminicídio. Por isso, é uma obrigação nos unirmos para brigar contra esse mal e conseguir acolher as vítimas e seus filhos.

    O perfil dos atendimentos mudou desde o início do seu trabalho voluntário de recuperação de faces de mulheres violentadas? Mudou muito. Antes, chegavam mulheres adultas, mães de família, com uma história de relacionamentos mais longos. Com o passar dos anos, a faixa etária diminuiu. Hoje, há um número crescente de adolescentes que procuram nosso serviço e já vivem, cedo na vida, relações abusivas e violentas, sem perceber.

    Qual o propósito da cartilha que a senhora elaborou, voltada para escolas, sobre violência contra a mulher? Crianças e adolescentes estão levando para a sala de aula o que frequentemente vivenciam em casa, normalizando esse tipo de conduta. Foi justamente por observar o avanço precoce da violência nas relações e a absorção da agressividade como algo natural que pensei em uma nova cartilha de prevenção, já aprovada para aplicação em colégios públicos, com foco na identificação dos sinais de abusos. Despertar a consciência já na infância é essencial para que situações assim sejam reconhecidas e interrompidas antes de evoluírem para agressões graves ou homicídios.

    Quais os efeitos imediatos da cartilha? Inúmeras mulheres vivem relacionamentos abusivos e violentos e não conseguem entender o que está acontecendo. Há meninas que acham até bonito o namorado jogar o celular delas no chão durante uma explosão de ciúmes diante de mensagens que trocam com os amigos. É somente com informação que elas começam a reconhecer os indícios dessa violência, que na vida real costumam escalar para graus mais elevados à medida que o agressor vai se sentindo à vontade.

    Que tipo de conteúdo a cartilha traz? Batemos muito ali na tecla da empatia, do respeito às mulheres e do consentimento. A ideia é que aprendam a identificar situações de violência. Desse modo, acabamos atingindo também as famílias. A sociedade como um todo precisa estar alerta à questão e retirá-la de uma vez por todas do rol dos tabus.

    Publicado em VEJA de 6 de fevereiro de 2026, edição nº 2981

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.