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A problemática em expor combo de cirurgias plásticas como mãe de Virginia

Joana Novaes, coordenadora do núcleo de Doença e Beleza da PUC-Rio, falou à coluna GENTE

Por Giovanna Fraguito 8 mar 2026, 12h00 •
  • Aos 60 anos, Margareth Serrão, mãe da influenciadora Virginia Fonseca, passou por um conjunto de procedimentos estéticos e compartilhou o resultado nas redes sociais. Entre as cirurgias realizadas estão abdominoplastia, colocação de próteses de silicone e lipoenxertia glútea. Com a repercussão, a coluna GENTE conversou com Joana Novaes, professora do programa de pós-graduação em Psicanálise, Saúde e Sociedade da UVA e coordenadora do núcleo de Doença e Beleza da PUC-Rio, sobre as problemáticas em expor tais intervenções, de maneira comemorativa, para milhões de seguidores. 

    Quando figuras públicas celebram procedimentos estéticos como uma conquista, que mensagem simbólica elas transmitem? Por trás da venda da imagem de uma mãe, que também se coloca em conformidade com os princípios estéticos, como as Kardashians, há uma dinastia de pessoas que investem pesadamente em estar dentro dos padrões e tem isso como um traço de distinção e privilégio, mas não só financeiro; há uma mensagem por trás. Quando você tem mãe e filha no mesmo padrão, a aposta é dobrada. É quase uma piada pronta: quem ganha dinheiro, notoriedade e prestígio, tem a obrigação de ter esse corpo. Ao expor esse tipo de protocolo estético com orgulho, você se coloca num lugar de referência e poder, onde dita para seus seguidores qual o corpo que eles devem ter. E isso passa a ser não só um roteiro de cirurgia plástica ou tratamento estético, mas um moral. 

    A recepção pública muda quando um procedimento estético é realizado por uma mulher mais velha em vez de uma mais jovem? Não. Existe uma lógica que atravessa esse debate e passa a moldar nosso imaginário social: não se justifica você se deixar enfear. E, por enfear, entenda-se velhice e gordura. No caso de uma mulher mais velha, você terá uma intolerância maior, com questionamentos de por que não lança mão de todas as práticas disponíveis no mercado. Parte-se também da ideia de que, com o tempo, ela teria acumulado recursos para isso, como se o corpo fosse um capital. No fundo, independentemente da idade ou da condição social, a mensagem que se reforça é a de que é preciso fazer algo. A responsabilidade pelo corpo recai inteiramente sobre você, que deve suportar dor, sangue, suor, lágrimas, se endividar. Tudo por esse corpo: obra de arte, objeto de consumo.

    Casos como esse podem gerar comparação ou frustração em outras mulheres? Elas fomentam, reproduzem essa lógica que é um misto. Por um lado, patriarcal, tendo a mulher como um pedaço de carne e que precisa ser escolhida. Ao mesmo tempo, é um olhar extremamente mercantilista. É puro suco do neoliberalismo. É a performance do sujeito absolutamente ancorada na sua aparência. Você tem que investir na capa, se não o seu valor de mercado decai. O caráter mais perverso que a gente tem que ficar mais atento, é que essas cirurgias são vendidas como práticas saudáveis. Você desvincula a ideia de vaidade. E saúde não tem nada a ver com você ter dez por cento de gordura no corpo, 1,80m, olho azul e cabelos lisos e louros.

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