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Viver com Ousadia

Por Luana Marques Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A ansiedade pode se tornar sua maior força. A psicóloga Luana Marques, professora de Harvard, ensina como transformar o medo em ação e treinar a mente para vencer as incertezas pelo caminho.

O Natal e a difícil convivência com o imprevisível

O que a psicologia explica sobre frustração, controle e convivência em datas simbólicas

Por Luana Marques
25 dez 2025, 09h00 • Atualizado em 25 dez 2025, 09h33
  • Estamos todos juntos em um hotel, perto do Mall of America, em Minneapolis.
    Lugar neutro. Confortável. Sem a pressão da “casa cheia”.
    Na teoria, tudo para dar certo.

    Na prática, bastaram poucas horas para a tensão aparecer.

    Eu queria descanso.
    As crianças queriam correr.
    Meu marido queria conversar.
    Minha cunhada queria resolver pendências.
    Minha sogra queria tranquilidade.

    Ninguém estava errado.
    Mas ninguém estava plenamente atendido.

    E ali ficou claro algo que vejo todos os anos no consultório: o Natal não é difícil porque falta amor.
    É difícil porque sobra expectativa.

    O cérebro odeia incerteza, e o Natal amplifica isso

    Do ponto de vista psicológico, o Natal ativa um mecanismo central do cérebro humano: a necessidade de prever.

    O cérebro funciona como uma máquina de antecipação.
    Ele tenta prever quem estará à mesa, como as pessoas vão se comportar, como você vai se sentir.
    E, principalmente, tenta prever que tudo vai dar certo.

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    Expectativa é uma tentativa de controle.

    Quando o cérebro imagina um Natal perfeito, ele não está sendo ingênuo, ele está tentando reduzir incerteza emocional.

    O problema é que a realidade raramente obedece ao roteiro.

    E quando a realidade não confirma a previsão, o cérebro interpreta isso como ameaça: frustração, irritação, culpa, ressentimento.

    Dor é inevitável. Sofrimento é opcional.

    Aqui entra uma distinção fundamental da psicologia, especialmente da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT):

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    Dor é parte da condição humana.
    Sofrimento é o resultado da luta contra aquilo que já está acontecendo.

    A dor aparece quando percebemos que o Natal não será como imaginamos.
    O sofrimento surge quando insistimos que deveria ser diferente.

    “Isso não deveria estar acontecendo.”
    “Era para ser mais fácil.”
    “Era para estarmos mais felizes.”

    Esses pensamentos não aliviam a dor.
    Eles a intensificam.

    Quando aceitar é mais saudável do que insistir

    Aceitar não é concordar.
    Não é gostar.
    Não é desistir.

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    Aceitar é parar de gastar energia tentando forçar a realidade a se comportar como um ideal.

    Naquela cena no hotel, o Natal ficou mais leve no momento em que algo simples aconteceu: cada um reconheceu seus próprios limites.

    Não foi mágico.
    Não foi harmônico.
    Foi real.

    E foi suficiente.

    Um convite possível para este Natal

    Talvez este Natal não seja sobre fazer dar certo.
    Talvez seja sobre parar de exigir que ele confirme uma fantasia.

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    A pergunta mais útil não é: “Como faço para este Natal ser perfeito?”

    Mas sim: “O que está acontecendo aqui, e como posso responder a isso com mais lucidez?”

    Quando você solta a expectativa, algo muda.
    Não porque a dor desaparece, mas porque ela deixa de virar sofrimento.

    Para levar com você

    O Natal não é um teste de felicidade.
    É um treino de aceitação da realidade como ela é.

    E isso, paradoxalmente, costuma ser o que mais aproxima as pessoas daquilo que realmente importa.

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    Se esse texto te fez pensar, a conversa continua fora do papel.
    Estou no Instagram @luanamarques.phd, onde discuto ciência psicológica aplicada à vida real, sem atalhos e sem romantização.

    Nos vemos lá. Feliz Natal!

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