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Psicóloga defende que pais incentivem meninos a brincar de boneca

Luana Menezes, especialista em psicologia infantil, fala a VEJA sobre seu livro ‘Eu só quero brincar’

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 mar 2023, 07h01

“Não aceitar ver o filho brincar de boneca é rejeitar o papel do homem cuidador do seu próprio filho”. Assim a psicóloga Luana Menezes, especialista em psicologia infantil, explica por que defende que os pais devem permitir que seus filhos brinquem de bonecas e carrinhos, como bem desejarem. Em conversa com a coluna, ela fala do teor de seu novo livro, Eu só quero brincar, que discute a masculinidade saudável, tema ainda tabu entre as famílias.

Como surgiu a inspiração para falar da desconstrução do machismo tóxico num livro para crianças? Meu filho foi minha inspiração. Ao me preocupar com seu desenvolvimento psicossocial e emocional, passei a vivenciar, como mãe, como sofremos com a cultura do machismo tóxico, principalmente na tratativa de meninos, que recebem dessa cultura a crença desde cedo de que devem ser fortes, viris, provedores, protetores.

Explique melhor como trata o tema? Cadu, personagem principal, não entende o motivo do seu pai proibi-lo de brincar de boneca com Malu. Ao internalizar os valores do patriarcado, o pai se tornou um homem com dificuldade de se expressar, com vergonha de chorar, sem saber como estar próximo afetivamente da família. Ou seja, a sensibilidade reprimida causa sérios problemas emocionais.

Como desconstruir estes estereótipos para crianças? A reflexão é sobre a necessidade da desconstrução dos estereótipos para os adultos, que passam a sua visão e crenças para a criança. A criança é livre de preconceitos e estereótipos, que vão sendo construídos a partir do que ela ouve. No livro, trato o estereótipo de gênero, preconceito generalizado sobre características que homens e mulheres possuem ou deveriam possuir ou das funções sociais que desempenham.

Que estereótipos masculinos devem ser combatidos? Como o homem que deve ser forte e que não pode chorar; ser provedor, o que o afasta de si mesmo afetivamente gerando prejuízos nas suas relações interpessoais… Não aceitar ver o filho brincar de boneca é rejeitar o papel do homem cuidador do seu próprio filho. Se é aceitável a menina brincar de boneca, é porque se entende socialmente que esse lugar é apenas da mulher.

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O que seria a “masculinidade saudável” e como isso pode ser passado já para as crianças? A masculinidade saudável é tudo o que vai em oposição ao machismo tóxico, que herdamos do patriarcado, que entende que o homem deve ser dominante e autoritário diante da família e se manter tendo privilégios sociais, políticos e de liderança. Essa perspectiva pode ser passada por meio da leitura, da busca por conhecimento e diálogo com os filhos a partir desse olhar respeitoso e igualitário a partir da escola.

Que exemplos de machismo tóxico você enxerga em desenhos infantis? Posso citar alguns como o personagem Gaston, do clássico A Bela e a Fera. Ele é alto, forte, corajoso, musculoso, bastante galanteador. A música do personagem diz: “Não há igual a Gaston, nem melhor que Gaston, nem pescoço mais grosso que o do Gaston. Nessa aldeia ninguém é tão homem”, que “não há queixo mais másculo que o de Gaston” e “mais que machão é o Gaston”. Assim como os homens de masculinidade frágil, o vilão da Disney se preocupa com a aparência e com que vão pensar. É fruto do machismo estrutural proveniente da cultura patriarcal a qual todos se expõem. Outro personagem é o Johnny Bravo, loiro, com músculos definidos, é conhecido por golpes de karatê. Já o Popeye retrata a coragem do marinheiro na rivalidade com o Brutus pela disputa do amor de Olívia. Ele sempre se gaba da força, garantindo que nunca tinha perdido uma briga. Outra questão é que vemos muito mais super-heróis do que super-heroínas.

Por que ainda é um tabu entre os pais que menino também pode brincar de boneca, assim como menina pode brincar de carrinho? Porque estamos todos intoxicados pelo machismo e sexismo, que associa a sensibilidade a uma característica feminina, portanto, prolifera a irreal possibilidade do menino de se tornar homossexual por isso. Enquanto isso, vejo a necessidade de informar de que a sensibilidade é característica de quem é humano, independentemente de gênero. Devemos ter a liberdade de sermos quem somos e sermos respeitados por isso, e não julgados. A brincadeira deve ser livre, é o retrato do que se vive e o desejo do que se quer viver e o desejo vem de dentro. E sim, menino pode sonhar em ser pai e menina pode sonhar em ter seu carro.

livro
Livro da Luana Menezes, especialista em psicologia infantil (./Divulgação)
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