Patricya Travassos: ‘É um problema essa coisa de casamento tradicional’
Em conversa com VEJA, atriz fala dos temas levantados na peça ‘Duetos’, em cartaz no Rio

Os encontros e desencontros da vida amorosa contemporânea sempre abasteceram a literatura e a dramaturgia com histórias no mínimo curiosas – às vezes traumáticas, às vezes divertidas. Em Duetos, em cartaz no Teatro das Artes, no Rio, Patricya Travassos e Marcelo Faria dão vida a quatro histórias de uma mulher e um homem às voltas com seus próprios desejos e traumas em busca do amor. Em conversa exclusiva com a coluna, Patricya – de 67 anos – fala de amores, política e mudanças geracionais. Confira a seguir:
DR DE CASAL. “É uma comédia de costumes que fala de relacionamento, mas que traz muito o lado humano dos personagens, não é caricata. E nem é sobre DR de casal, são outras relações – como a de uma secretária e um milionário gay, a vida de irmãos em que um está em crise no casamento…”
VIDA A DOIS. “Falar de relacionamento nunca sai de moda, porque ninguém vive sozinho, a vida humana é puro relacionamento. Ou a gente está numa relação de trabalho, ou familiar, ou a dois. A gente precisa do outro, aguentar o outro, aceitar o outro como ele é para ser feliz”.
MUDANÇA DE HUMOR. “Eu não acho que seja mais difícil fazer humor hoje no Brasil. Estamos tendo uma reeducação, porque antigamente fazíamos certas coisas que hoje são inconcebíveis. Por exemplo, um programa de humor da TV Globo dos anos 70/80, com piadas sobre homossexual, aparência de mulheres, aquelas mulheres gostosas de biquíni, brincar com a cor de pele das pessoas, nada disso pode mais. Estamos tomando consciência de coisas horrorosas que fizemos no passado. Não tem mais graça”.
MONOGAMIA. “Já vivi relacionamentos não-monogâmicos mais jovem, mas a gente não chamava assim. Tenho amigas que fazem tratados com o parceiro para ver como vai ser o relacionamento aberto. Antigamente, a gente fazia sem nem chamar de relação aberta! Não tinha regras, eles só aconteciam! Estou solteira e não tenho interesse em relações assim, é muito confuso. Não procuro alguém, não é prioridade para mim. Estou mais seletiva”.
PRÍNCIPE ENCANTADO. “Nunca acreditei em príncipe encantado, sempre tive pânico de depender de alguém. Eu via os casais depois do casamento e achava uma coisa tão sem graça, entediante, horrorosa. Eu pensava: ‘coitados’. É um problema essa coisa de casamento tradicional. Foi uma ideia que saiu do quinto dos infernos! Só faz as pessoas ficarem infelizes com relação à sexualidade, é terrível.”
ELEIÇÃO. “Eu voto em qualquer pessoa que não seja o Bolsonaro. Vou votar no Lula, claro. Mas não sou uma pessoa de postar coisas. Assino e dou like nas coisas que acho que estão certas. Mas não fico fazendo guerra na internet para não aumentar a polarização. A única coisa que posso fazer agora é votar, minha única arma”.
Serviço – ONDE: Teatro das Artes RJ – Shopping da Gávea/ HORÁRIO: sexta e sábado, 21h; domingo, às 20h/ INGRESSOS: R$100 e R$50 (meia)/ CLASSIFICAÇÃO: livre/ TEMPORADA: até 02 de outubro.
