O que esperar da primeira noite de desfiles do Carnaval carioca
Quatro escolas irão passar pela Marquês de Sapucaí, neste domingo, 15
Os desfiles da Sapucaí de 2026 confirmam a força das homenagens como enredo. Das 12 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, oito desfilam exaltando personagens, desde o presidente Lula (Acadêmicos de Niterói) até o líder religioso Custódio do Bará (Portela), passando pelo Mestre Sacaca (Mangueira).
A primeira a passar pela Avenida é a estreante no grupo, Acadêmicos de Niterói, que venceu na Série Ouro em 2025. Com o enredo Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, do carnavalesco Tiago Martins, a escola apresenta desde a infância do presidente Lula, a vinda para São Paulo (num pau-de-arara), a luta sindical e a carreira política. Ele vai acompanhar o desfile do camarote da prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo do estado. No chão, desfilam um grupo de políticos no mesmo carro de Janja. Entre eles: Margareth Menezes, ministra da Cultura, e Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas.
A segunda escola da noite é a Imperatriz Leopoldinense, com o enredo Camaleônico, do carnavalesco Leandro Vieira, inspirado na figura performática de Ney Matogrosso. Ele já levou o título por carnavalizar Maria Bethânia, em 2016, na Mangueira. Agora, propõe um retrato da multiplicidade artística e performática do cantor. A escola revisita sucessos como Sangue Latino, Rosa de Hiroshima, O Vira, Homem com H e Metamorfose Ambulante. A frente da bateria, a cantora Iza, e ao longo dos setores amigos de Ney, como Luiz Fernando Guimarães e Maitê Proença.
Em seguida, mais uma homenagem. A Portela desfila a trajetória de Custódio Joaquim de Almeida, o príncipe do Bará, líder africano que se estabeleceu em Porto Alegre. O enredo O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande, do carnavalesco André Rodrigues, vai abordar o legado religioso, cultural e político do personagem, ressaltando a presença negra no Sul do Brasil e o sincretismo entre religiões de matriz africana e tradições populares. Destaque para a rainha da bateria Bianca Monteiro que completa dez anos de reinado.
Para finalizar a primeira noite, a Mangueira, com o carnavalesco Sidnei França, enaltece as tradições afro-indígenas com o enredo Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra. Mestre Sacaca (Raimundo dos Santos Souza) foi curandeiro e defensor dos povos da floresta. Referência dos saberes afro-indígenas no Amapá, ele se destacou pelo conhecimento sobre ervas, raízes e seivas amazônicas, usadas no tratamento de doenças e no cuidado comunitário.





