Jorge Perlingeiro: a voz com ‘nota 10’ da apuração do Carnaval do Rio
Coluna GENTE conversou com o locutor que segue fazendo história ao anunciar as notas dos desfiles
Com mais de três décadas à frente da apuração dos desfiles das escolas de samba do Rio, Jorge Perlingeiro se consolidou como a voz mais emblemática do Carnaval carioca. Aos 81 anos, soma 42 de trajetória na Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), desde a fundação da entidade. Hoje integra o conselho consultivo e é benemérito, mas já ocupou praticamente todos os cargos da instituição, inclusive o de presidente, até 2024, período do qual se orgulha.
“Tivemos várias conquistas: contrato de quatro anos com a Prefeitura para cessão da Sapucaí, contrato de transmissão dos desfiles, instalação de uma unidade do Corpo de Bombeiros dentro da Cidade do Samba. Algo fundamental, porque ali se trabalha com materiais altamente inflamáveis. Já tivemos incêndios e essa unidade foi de suma importância. Também levei a apuração para a Cidade do Samba, porque não fazia mais sentido ser na Praça da Apoteose enquanto as escolas comemoravam nas quadras”, conta o locutor à coluna GENTE.
Em 2024, ele passou o bastão para Gabriel David. Para Perlingeiro, a nova gestão representa uma continuidade do trabalho. “Gabriel já fazia parte da minha diretoria, no marketing. A gestão tem se modernizado. O departamento cresceu, novos contratos foram celebrados. Não existe essa coisa de ser contra. Quanto melhor o espetáculo, mais engrandece a instituição. Os homens passam, a instituição permanece. Vejo um jovem preparado, que conhece a estrutura. A base da diretoria continua a mesma. O ideal é a Liga se tornar cada vez mais forte e com mais autonomia”, afirma.
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A saída da presidência, no entanto, não significou aposentadoria. Além de seguir como responsável pelo anúncio das notas no Carnaval, ele comanda o podcast Só Se For Agora, inspirado no bordão que usa há 25 anos. “Para mim, aposentadoria é o início do fim. O trabalho é convivência, produtividade, relacionamento. Enquanto tiver saúde, vou continuar. Fiz 81 anos em janeiro e sigo produzindo. Continuo no Carnaval, com menos atividade, mas mantendo a apuração. É algo mágico”, garante.
Perlingeiro não esconde que a Vila Isabel é sua escola do coração, mas assegura que a paixão não interfere na imparcialidade. “Como presidente e agora conselheiro, sempre mantive a ética. Quero que vença quem fizer o melhor Carnaval”, diz. Sobre favoritismos, prefere cautela. “A disputa é equilibrada. Já houve tempos em que se dizia que, para ganhar, era preciso vencer a Beija-Flor. Hoje não existe isso. Todas entram com chance real. Anunciar vencedor antes é como apostar na loteria. Pode até acertar, mas é chute”, conclui o dono da potente voz que dá notas de alegria e frustração às escolas de samba.





