Filho do fundador da TAM faz carreira unindo aviação e artes plásticas
À coluna GENTE, Marco Amaro fala sobre trajetória até a presidência de museus em São Paulo

Marco Amaro já transitou por diversos setores ao longo dos seus 40 anos. Filho de Rolim Amaro (1942-2001), fundador da TAM Linhas Aéreas, atual LATAM Airlines Brasil, ele cresceu no mundo das companhias aéreas, mas sua paixão pela arte e a veia de empreendedor o fez voar mais alto. Empresário e artista plástico, Amaro começou como trainee da empresa fundada pelo pai, já foi dono de uma rede de óticas e hoje é presidente de um museu de aviação – Museu de Asas de um Sonho – e do Museu Fama, em São Paulo, além ser dono de uma empresa focada no segmento de aviação privada. À coluna GENTE, Marco Amaro conta sobre a sua trajetória, que une aviação e arte, avalia as portas que o pai abriu para sua carreira e explica o motivo do curioso investimento no mercado de óculos.
O senhor cresceu no mundo da aviação, mas o que te levou a seguir para a arte? O mundo da aviação influencia minha vida até hoje. Minhas obras plásticas são, na verdade, tentativa de unir minhas maiores paixões: arte e aviação. Essa conexão está refletida tanto no conteúdo das minhas obras quanto em outros aspectos do percurso, como a publicação de um livro que documenta minha trajetória, e nas minhas atividades culturais e empresariais.
Quando o senhor decidiu mudar de área? Sempre fui artista, desde pequeno. Costumava desenhar aeronaves, e a sensibilidade esteve presente em mim. Por isso, foi natural me aproximar mais das áreas humanas e da arte como formas de conhecimento e expressão. Felizmente, essa conexão com a arte não limitou o desenvolvimento das minhas capacidades empresariais. Pelo contrário, contribuiu para os projetos que desenvolvi, seja liderando as Óticas Carol no passado, seja agora à frente da minha própria empresa de aviação, a Amaro Aviation.
O senhor ainda mantém aproximação com a aviação? Minha proximidade com o universo da aviação se destaca através da minha atuação como presidente do Museu Asas de um Sonho, que abriga um dos mais importantes acervos de aviação do país, o antigo Museu TAM. São mais de 100 aeronaves que supervisiono com o objetivo de recriar o museu no Centro Cultural São Pedro, em Itu.
Sabe pilotar? Tenho curso de piloto privado, mas não piloto avião há mais de uma década. Isso porque decidi me dedicar e concentrar inteiramente nos projetos que escolhi ao longo desse período.
O seu passado em uma empresa grande te ajudou a conseguir sucesso nos outros negócios? Sim, tenho certeza de que meu passado, especialmente pela minha atuação no Conselho de Administração da TAM, foi fundamental para me tornar o empresário que sou hoje. Assumi grande responsabilidade aos 17 anos, após o falecimento do meu pai. Essa exposição precoce ao mundo corporativo não apenas me fortaleceu, mas me proporcionou os recursos necessários para desenvolver minhas próprias competências.
Por que investiu no comércio de óculos? Naquela época [início dos anos 2000], o segmento de luxo no Brasil estava em crescimento, e essas marcas já tinham um forte recall, especialmente a TAG Heuer, devido ao seu embaixador, Ayrton Senna, e à parceria com a H. Stern na representação de relógios. Minha trajetória me levou, mais tarde, a adquirir as Óticas Carol. Depois, decidi vendê-la para um fundo de investimento estrangeiro. Foi uma decisão estratégica, pois o mercado estava se tornando cada vez mais competitivo. Sinto que cumpri meu ciclo nesse setor.
Quais são os desafios na gestão de um museu? São imensos, ainda mais no meu caso, com dois museus sob minha responsabilidade. Contar com uma equipe qualificada e especializada é essencial para alcançar algum êxito. Desde o início, tenho investido recursos próprios nesses projetos e, diariamente, luto para que se tornem sustentáveis e perenes, com o objetivo de que continuem existindo mesmo após a minha passagem. Não é possível pensar na cultura de forma isolada; é imprescindível o suporte da sociedade civil.
Como é ser artista no Brasil? Em qualquer lugar do mundo é um desafio. No Brasil, diria que pode ser ainda mais difícil. Apesar deste governo demonstrar simpatia pela cultura, isso ainda não se traduz em suporte suficiente. Em países como a França e os Estados Unidos, há apoio governamental muito maior aos artistas. Muitas vezes, os artistas abrem caminhos e traçam novas trajetórias para a sociedade como um todo.