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Por Valmir Moratelli
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“Doria é neonazista”, diz Paulo Kogos, que participou de ato com caixão

Filho de uma das principais dermatologistas do país, Kogos carregou o esquife em manifestação na Paulista para simbolizar o velório político do tucano

Por João Batista Jr. Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 13 abr 2020, 16h20 - Publicado em 13 abr 2020, 16h00

Economista e estudante de filosofia, o empresário paulista Paulo Kogos, de 32 anos, virou uma das figuras mais proeminentes das manifestações contrárias ao isolamento social e a favor de Jair Bolsonaro. No domingo, 12, ele esteve na Avenida Paulista segurando um caixão falso. Foi atacado nas redes sociais por considerarem o gesto um desrespeito com as mais de dezenas de milhares de mortes causadas pela Covid-19 ao redor do mundo. “Na verdade, o caixão simboliza o enterro político do João Doria, do nazismo, do comunismo e do ‘psdbismo'”, defende-se Kogos.

Filho do ginecologista Waldemar e da dermatologista Ligia Kogos, conhecida no país como a rainha do Botox e que possui entre seus clientes Marcela Temer, Beth Szafir e Amaury Jr., o rapaz sempre teve trânsito entre o meio artístico e político. Circula no Twitter uma série de vídeos e fotos de Kogos em situações aleatórias, como no enterro de Hebe Camargo e no lançamento de vinhos de Galvão Bueno. Apesar da fama da mãe e de cuidar dos negócios da clínica de dermatologia da família, não é tecnicamente correto tratá-lo como o “príncipe do Botox”. “Nunca fiz”, jura.

Se hoje ele considera Doria um inimigo, no passado Kogos participou de vários encontros organizados pelo governador paulista chamados “Family Workshop”, destinados às empresas familiares.

Na entrevista a seguir, Kogos comenta sua participação nas polêmicas passeatas contra a quarentena e, como é de seu estilo, exagera nas críticas aos políticos com quem não concorda:

O senhor considera a Covid-19 uma “gripezinha”? Não. A pandemia existe e precauções devem ser tomadas, mas sem irracionalidade. Muitos governadores estão adotando medidas, caso do João Doria, de forma a fazer que o resultado seja mais danoso que a pandemia em si. O monitoramento da população por geolocalização e a tentativa de multar quem sai de casa mostra que ele é um neonazista no tocante ao totalitarismo e ao desprezo pelas liberdades civis. Não admito o estado interferindo na vida da sociedade. O Bolsonaro está mais certo do que errado sobre o tamanho do coronavírus, mas não pode ignorar a existência da pandemia.

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Qual tipo de limitação à circulação de pessoas o incomodou mais? A coisa que mais me irritou nisso tudo foi proibir as missas.
Nunca antes na história da humanidade isso tinha acontecido, nem mesmo nas perseguições do Imperador Nero ou Diocleciano.
João Doria é um inimigo dos cristãos.

Como o senhor avalia o ministro saúde, Luiz Henrique Mandetta? Um amigo na minha família, idoso e com diabetes, fez tratamento com cloroquina e está curado da Covid-19. O Mandetta e o David Uip não falarem dos benefícios desse remédio é um absurdo. Pela minha escala de valores, o ministro tem feito algo parecido com o homicídio.

A sua vida econômica foi afetada pela pandemia? Pouco. Eu cuido das empresas da família, como a linha de cosméticos e a clínica — que está funcionando normalmente. Diminuiu apenas um pouco do movimento, pois há pessoas com medo de sair de casa. Mas a questão de perda de valor da moeda e da economia retraindo como um todo afeta a todos. Ter poder não está relacionado a dinheiro. Quero libertar todos da dependência do estado, seja um morador do Morumbi ou de uma favela. Temos de libertar os pequenos comerciantes e os assalariados, Bill Gates e George Soros são de esquerda, isso é claro. Eu defendo a moeda forte e o corte de impostos.

O senhor foi duramente criticado por segurar a réplica de um caixão em manifestação na Avenida Paulista. O caixão simboliza um velório político do João Doria, que nunca mais vai ser eleito. Mas o velório foi mais amplo: fala da morte do comunismo, do nazismo e do ‘psdbismo’. Nós nos inspiramos no meme do caixão, até a música era igual. Quem critica não sabe o contexto da manifestação.

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Por falar de forma estridente, gritar e ser muito ativo entre os bolsonaristas radicais, o senhor é descrito como um “meme ambulante”. Concorda com o apelido? Eu tenho recebido ameaças de morte, contra a minha vida, mas esses apelidos são piores, pois atingem a minha índole. Eu grito até para ser ouvido, pois em manifestações tem muita gente. Mas não interpreto um personagem, me chamarem de meme ambulante desmerece o meu trabalho e estudo. Quero ser professor de filosofia. Eu me considero um ativista político da antipolítica. Quando menos estado, melhor.

Como avalia o filósofo Olavo de Carvalho, importante influência entre bolsonaristas? Eu o considero o maior entendedor de comunismo da língua portuguesa. Mas ele é um pseudocatólico e defende a intervenção do estado, algo que sou radicalmente contra.

O senhor acredita que a Terra seja plana? Não, isso é uma invenção da esquerda.

Explique melhor. Essa tese é tão absurda que só pode ser estratégia da esquerda, que paga influenciadores que se dizem terraplanistas com o intuito de atacar a direita.

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