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Como autora de ‘Vai na fé’ põe fim à ideia de crise em novelas

Rosana Svartman lança o livro ‘A telenovela e o futuro da televisão brasileira’

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 17 jul 2023, 11h50 - Publicado em 17 jul 2023, 11h00

Com a consolidação do streaming, se intensificou o debate em torno do futuro das novelas no país. Em A telenovela e o futuro da televisão brasileira, a pesquisadora e autora da TV Globo Rosane Svartman avalia que a resposta está na convergência de mídias e na maior participação dos espectadores. O livro é um desdobramento da tese de doutorado defendida na UFF. Autora de sucessos como Vai na fé (2023), Bom sucesso (2019) e Totalmente demais (2015), Svartman conversou com a coluna sobre o livro, que terá lançamento duplo: nesta terça-feira, 18, a partir das 19h, na livraria da Travessa de Ipanema, no Rio; e na quarta-feira, 19, também às 19h, na Travessa de Pinheiros, São Paulo.

O título do livro é provocativo. É possível pensar a novela no futuro da televisão no Brasil?Minha tese é que a telenovela, narrativa resiliente porque se transforma ao longo do tempo, é a chave pro futuro do audiovisual no Brasil por diversos motivos. Entre eles, a popularidade, a longevidade, a história que se conecta diretamente com o público, o fato de fazer parte da cultura brasileira e também por ser a principal narrativa audiovisual que inverte o fluxo transnacional de conteúdo.

O livro oferece uma imersão no universo dos folhetins, diante de vários contextos. É arriscado afirmar que a novela atravessa sua maior crise no país, com a “fome” dos streamings no mercado audiovisual? Não acho que existe uma crise da telenovela, pelo contrário. É curioso observar como o melodrama, os principais códigos e ferramentas de uma telenovela estão migrando para o streaming. Tudo isso é recente e pessoalmente me interesso bastante por observar esse processo de tentativa e erro. Enquanto a telenovela fizer parte da nossa cultura, ela se transforma, mas não acaba.

Há alterações definitivas em curso na estrutura das novelas – tanto narrativa quanto de negócios – devido a esta nova concorrência de mercado? No livro eu aponto algumas das transformações que a telenovela sofreu até hoje, tanto no que diz respeito às temáticas e personagens, como em relação a própria estrutura narrativa. Observo, no entanto, que na atualidade, no processo de deslizamento para o streaming, a telenovela sofre algumas transformações no que diz respeito ao conteúdo e a espectatorialidade (como esse conteúdo é consumido). Um exemplo é o tamanho da telenovela, que tem relação direta com o modelo de negócio (a novela precisa se pagar – seja pelas assinaturas, através da publicidade, sindication/vendas, ou num modelo híbrido). Outro exemplo, o fato das telenovelas serem fechadas muda a relação com as audiências e também com os textos secundários produzidos a partir dela.

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É inegável a força da novela como matriz narrativa latino-americana. É possível estabelecer um marco no qual as novelas do Brasil se distanciam das demais produções latinas e se tornam referência do gênero no mundo? As novelas brasileiras assumiram um caráter único nessa mudança das radionovelas, em suas versões latinas. Os autores, que depois passaram a produzir para a TV, assinando suas próprias histórias… Cito como marco Beto Rockfeller (de 19680, por simbolizar a conexão do espírito de uma época.

Hoje há uma invasão de novelas turcas no mercado brasileiro, tal como as mexicanas já exerceram esse mesmo fascínio. A que se deve o interesse por novelas estrangeiras? Esse interesse é pelo melodrama, uma narrativa com encerramentos potentes e até resilientes. Alguns teóricos traçam seu surgimento a partir da Grécia, outros a partir da França. Novelas turcas e coreanas também têm essa tendência pelo estilo, o que faz com que a gente sinta hoje um aumento no número de novelas disponibilizadas no país.

Há um risco das novelas se transformarem tanto, a ponto de virarem séries ou algo completamente diferente do que as definem hoje? Já tem gente chamando novela de melodrama seriado, algo como “um melodrama de 20 episódios”. Por outro lado, será que as séries também não estão virando novelas? Game of thrones, um exemplo até óbvio, tem várias características do melodrama. Janete Clair falava que cada capítulo é um espetáculo. Acredito que haja um movimento de convergência entre séries e novelas. Enquanto a novela se mantiver próxima de nossa cultura e preservar nossas características, ela continua sendo novela.

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Capa 'A telenovela e o futuro da televisão brasileira' -
Capa ‘A telenovela e o futuro da televisão brasileira’ – (Divulgação/Divulgação)

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