Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Thomas Traumann

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Thomas Traumann é jornalista e consultor de risco político. Foi ministro de Comunicação Social e autor dos livros 'O Pior Emprego do Mundo' (sobre ministros da Fazenda) e 'Biografia do Abismo' (sobre polarização política, em parceria com Felipe Nunes)

O método Bolsonaro

O presidente só age se pressionado pelos apoiadores nas redes sociais

Por Thomas Traumann Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 mar 2022, 12h43 • Atualizado em 30 mar 2022, 15h31
  • Como escreveria o vereador Carlos Bolsonaro, existe um método. A crise do dia pode ser a dos pastores cobrando propina para liberar verbas do Ministério da Educação para as prefeituras, ou um aumento de preços dos combustíveis, ou novos recordes de desmatamento ilegal na Amazônia. O tema não importa. O método, sim.

    No manual de gerenciamento de crises do governo Bolsonaro, o primeiro capítulo é sempre minimizar o fato. Incêndios na Amazônia acontecem todos os anos, aumentos da gasolina ocorrem no mundo todo, vários países demoraram a aprovar as vacinas contra Covid.

    Não deu certo? Então, é hora de atacar quem acusa. Se for um jornalista, é lógico que ele é um petista produtor de fakenews. Se for um ministro do Supremo, é alguém que quer conspirar contra o governo. Se for um delegado da PF, esse será transferido de cargo.

    As acusações passam a ser parte de um complô. “Estão fazendo uma sacanagem com o Milton”, ele disse na semana passada se referindo ao então ministro da Educação, Milton Ribeiro, aquele permitiu que pastores negociassem a liberação de verbas do Ministério da Educação por propinas pagas até em barras de ouro.

    Se a crise permanece, Bolsonaro se desvincula de qualquer responsabilidade sobre o fato. “Eu tenho uma política de não interferir. Sabemos das obrigações legais da Petrobras e, para mim, particularmente falando, é um lucro absurdo que a Petrobras tem num momento atípico no mundo”, disse.

    Continua após a publicidade

    Ficou mais grave? o presidente tenta trocar de assunto. No domingo, no lançamento da sua pré-campanha, ele voltou a homenagear o coronel Carlos Ustra, um dos raros militares condenados por sequestro e tortura no regime militar.

    Mas o que difere um ministro que é demitido, como aconteceu com Milton Miranda e o general Luna da Silva da Petrobras, e outros que tão enrolados quanto? A reação nas redes sociais. Ribeiro se mantinha firme no cargo até que o jornal O Estado de S. Paulo divulgou que ele autorizou a impressão de bíblias com fotos suas, um uso pecaminoso do livro sob qualquer perspectiva. A reação nas redes dos evangélicos às fotos do ministro foram decisivas na sua queda.

    O general Luna e Silva foi demitida da presidência da Petrobras não porque deu entrevistas arrogantes, mas por ter deixado a culpa dos aumentos cair no colo do presidente. Monitoramento comais de 1 milhão de posts coletados pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV DAPP) mostra que o presidente foi responsabilizado pessoalmente pelo reajuste e que sua justificativa sobre a alta dos preços no mercado internacional em função da guerra na Ucrânia foi desprezada. O levantamento da FGV-DAPP mostrou que, pela primeira vez em muitas crises envolvendo o governo, os perfis do presidente ficaram de fora entre os mais influentes do twitter.

    Continua após a publicidade

    Resultado similar foi obtido em pesquisas recentes. No Datafolha, 39% disseram que o presidente Bolsonaro tem muita responsabilidade pelo aumento da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Outros 29% consideram que o governo tem ao menos um pouco de responsabilidade. No Ipespe, 45% dos entrevistados concordaram que o presidente Bolsonaro tem muita responsabilidade nos aumentos _ o mesmo índice da guerra na Ucrânia.

    Existe um método. Ele se resume em tirar a crise do colo do presidente.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.