O candidato do cercadinho
Um mês depois de ser indicado, Flávio Bolsonaro fala apenas para a sua base
O maior adversário da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência não é o presidente Lula da Silva, o PT ou a ala do Centrão contrariada com a sua indicação, mas o próprio Flávio Bolsonaro. Um mês depois de ser indicado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio não conseguiu apoio de nenhum político importante.
Escanteados pela escolha do ex-presidente, a madrasta Michelle e o governador Tarcísio de Freitas ignoram a candidatura do senador. Tirando o PL, nenhum partido se comprometeu com o candidato. A preços de hoje, parte do Centrão vai apostar numa candidatura de Ratinho Junior, outra vai de Lula e uma terceira só embarca na campanha de Flávio se ele subir nas pesquisas.
Como informou Thiago Prado na sua newsletter Jogo Político, de O Globo, nas conversas com executivos do mercado financeiro, Flávio prometeu anunciar até abril o nome do seu candidato a ministro da Fazenda, numa repetição da estratégia do pai, que em 2018 se escorou em Paulo Guedes para ganhar o apoio do PIB. Hoje está mais difícil. Guedes não tem mais o mesmo impacto e os dois economistas que acompanham Flávio nas reuniões na Faria Lima, Gustavo Montezano e Adolfo Sachsida, são de terceiro escalão.
Em uma live com o youtuber Paulo Figueiredo, Flávio falou na possibilidade de nomear o irmão, Eduardo, seu ministro das Relações Exteriores. Aventar a possibilidade de ter como responsável pela política externa alguém que obteve a pior restrição comercial contra seu próprio país demonstra a extensão do abismo entre os Bolsonaro e a realidade. Flávio fala só para o cercadinho bolsonarista.
Apressado, Flávio apostou que a captura do venezuelano Nicolás Maduro era um sinal de que Donald Trump iria derrubar o regime chavista e animar o antipetismo no Brasil, o que comprova que a família Bolsonaro segue sem compreender a política americana. Na semana passada, Flávio foi aos EUA na esperança de ser recebido pelo secretário de Estado Marco Rubio. Levou com a porta na cara.
Perder tempo custa caro na política. Em fevereiro o Congresso volta a funcionar com os deputados focados em uma única prioridade, a reeleição. Ao contrário de outros países, não é tarefa simples. Em 2022, só 55% dos deputados federais se reelegeram. Para vencer, cada deputado vai precisar da liberação das emendas, da ajuda dos prefeitos e da companhia de candidatos fortes a governador e a presidente.
Flávio só irá convencer essa turma de que vale a pena ficar ao seu lado se provar que tem chances reais de poder. Embora a maioria dos congressistas não goste de Lula, eles gostam menos ainda de apostar em um candidato perdedor.
Eleições para o Executivo são binárias. Os eleitores decidem se querem manter o status quo ou querem mudança. A preços de hoje, os ventos da mudança são fracos. O brasileiro está mais otimista e esse sentimento tem um enorme peso eleitoral quando a oposição não perde a oportunidade de perder uma oportunidade.
Pesquisa Datafolha mostrou que 60% dos entrevistados acham que a situação do País irá melhorar em 2026, em comparação com 2025. Na virada para 2025, com a inflação de alimentos em alta, esse índice era de 47%.
Como seria de se esperar, os eleitores de Lula são mais otimistas, com 78% acreditando num ano melhor, mas mesmo entre os bolsonaristas a expectativa é positiva para 61%. O resultado iguala o patamar de otimismo observado na virada de 2022 para 2023, logo após as eleições que elegeram Lula para um terceiro mandato.
Quanto menor a renda, maior é a expectativa para 2026: 61% dos que ganham mais de dez salários mínimos acreditam que o próximo ano será de melhora na situação pessoal. O número sobe para 72% entre os entrevistados com menos de dois salários mínimos.
Quando foi anunciado como candidato, Flávio tinha dez meses para mostrar que era o nome viável para derrotar Lula. Agora só faltam nove meses para o primeiro turno e ele está no mesmo lugar.
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