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Thomas Traumann

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Thomas Traumann é jornalista e consultor de risco político. Foi ministro de Comunicação Social e autor dos livros 'O Pior Emprego do Mundo' (sobre ministros da Fazenda) e 'Biografia do Abismo' (sobre polarização política, em parceria com Felipe Nunes)

Na teoria, Bolsonaro vai perder

Estudos mostram que pessimismo com a economia é fatal para candidatos à reeleição

Por Thomas Traumann Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 set 2021, 12h32 •
  • Em 1992, o marqueteiro americano James Carville colou um cartaz no comitê de campanha em Little Rock, Arkansas, do então candidato democrata a presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, com o slogan que mudou a compreensão de estratégias eleitorais: “É a economia, estúpido!”. O mote ordenava aos democratas a focar a campanha na recessão econômica interna e responsabilizar pessoalmente o então presidente George H.W. Bush pelo desemprego de 6,8%, o maior desde os anos 1970. Presidente dos EUA quando a URSS se esfacelou, a Alemanha se reunificou e os EUA lideraram forças internacionais para retirar o Iraque do Kuwait, Bush pai colheu as vitórias globais de décadas da Guerra Fria e, ironicamente, terminou derrotado pela estratégia local de Carville e Clinton.

    “É a economia, estúpido!” tornou-se desde então uma expressão corrente e capaz de sintetizar na imaginação popular anos de estudos da ciência política, economia, psicologia social e antropologia sobre o que seria a principal motivação do eleitor na hora voto. Décadas de estudos comparativos sobre eleições nos Estados Unidos e Europa mostram que, embora no primeiro semestre de estatística se ensine que correlação não é causalidade, existe uma forte associação entre o desempenho da economia e o resultado das eleições.

    Pela teoria do voto econômico, é possível antecipar no mínimo as dificuldades ou benefícios de um candidato à reeleição a partir das expectativas econômicas da sociedade. De acordo com vários das últimas décadas comparando centenas de eleições, as probabilidades de reeleição de um governo crescem com aprovação na economia e caem quando a economia vai mal. Parece senso comum, mas uma parte fundamental nas pesquisas foi mostrar que a decisão do voto não se baseia apenas no presente, mas também em como o eleitor imagina o futuro. O eleitor pode até aceitar, por exemplo, que a atual situação econômica de inflação e desempregos altos seja circunstancial e foro do controle do presidente, mas não topa que não haja melhorar no futuro. E o futuro que Bolsonaro apresenta, segundo os eleitores, é sombrio.

    Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira revela o pessimismo dos eleitores sobre as chances de Bolsonaro mudar o cenário econômico.

    Os principais números:

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    74% acham que o governo Bolsonaro tem responsabilidade sobre o aumento da inflação

    71% acham que o governo Bolsonaro tem responsabilidade sobre o aumento do desemprego

    69% acham que a situação econômica piorou nos últimos meses

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    69% acham que a inflação vai aumentar nos próximos meses

    54% acham que o desemprego vai aumentar

    Faltando pouco mais de um ano para o primeiro turno, esses dados mostram que o tempo para Bolsonaro se recuperar está correndo rápido. Se não mudar o sentimento geral sobre a economia, as chances de reeleição do presidente são muito baixas. Não importa o adversário. É a economia, estúpido!

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