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Thomas Traumann

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Thomas Traumann é jornalista e consultor de risco político. Foi ministro de Comunicação Social e autor dos livros 'O Pior Emprego do Mundo' (sobre ministros da Fazenda) e 'Biografia do Abismo' (sobre polarização política, em parceria com Felipe Nunes)

Dois erros com uma decisão

Nomeação de Pimenta para ministério da Reconstrução politiza ação federal no Sul e piora coordenação da comunicação

Por Thomas Traumann Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 Maio 2024, 16h10 | Atualizado em 15 Maio 2024, 23h00
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O governo Lula enfrenta dois desafios gigantescos hoje: dar início à reconstrução do Rio Grande do Sul e enfrentar a onda de notícias falsas que podem transformar a ação federal em mais um capítulo da polarização calcificada entre petistas e bolsonaristas. Com a transferência do ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta, para a pasta extraordinária de Reconstrução, Lula tornou muito improvável obter sucesso nas duas missões. Com uma única decisão, Lula cometeu dois erros.

Deputado federal pelo PT gaúcho, Pimenta é o único gaúcho do ministério e se comporta como pré-candidato a governador em 2026. A sua nomeação como coordenador das ações federais para recuperar o Rio Grande contamina o plano com a política partidária e dificulta a trégua com o governador tucano Eduardo Leite. Qualquer discordância com o governo gaúcho, algo natural num cenário tão complicado, será vista como pano de fundo para a disputa eleitoral de 2026. Como mostrou Andreia Sadi, da Globonews, mesmo no PT houve críticas pela nomeação.

Como, em tese, Pimenta voltará para a Secretaria de Comunicação Social quando o plano de reconstrução for encaminhado, o presidente está deixando a sua comunicação acéfala por meses. Seria ruim em condições normais, mas é pior quando os próprios Lula e Pimenta reconhecem a fragilidade do governo nas redes sociais.

A dificuldade da comunicação do governo é consenso. Parte do problema é a competência bolsonarista nas redes. A outra parte vem da divisão da Secom entre Pimenta (que toca, principalmente, a publicidade federal), a primeira-dama Janja da Silva (com fortes opiniões sobre as redes socais oficiais), o secretario de Imprensa José Chrispiniano e o fotógrafo oficial Ricardo Stuckert. Sem Pimenta, a descoordenação da comunicação pode aumentar.

Lula criou dois problemas para si mesmo que só ele pode arrumar, delimitar as ações de Pimenta no Sul (o que pode dificultar o seu trabalho) e nomear um ministro com força para dar um tom único à comunicação oficial.

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