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Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Qual é a diferença entre fruto e fruta?

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Por Sérgio Rodrigues
26 jan 2015, 15h35 • Atualizado em 31 jul 2020, 02h15
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    “Tenho uma dúvida que me persegue há muitos anos: qual é a diferença, se é que existe alguma, entre ‘fruto’ e ‘fruta’?” (Laís Gonçalves)

    A questão trazida por Laís tem uma resposta simples: fruta é o fruto comestível. O que equivale a dizer que toda fruta é um fruto, mas nem todo fruto é uma fruta.

    A mamona, por exemplo, é o fruto da mamoneira. Não é uma fruta, pois não se pode comê-la. Já o mamão, fruto do mamoeiro, é obviamente uma fruta.

    Se a regra geral é simples, basta aplicá-la à imensa variedade do reino vegetal para que comece a se complicar. Em primeiro lugar, para evitar mal-entendidos, registre-se que aqui estamos falando das palavras “fruto” e “fruta” na linguagem comum, em que seus sentidos englobam aquilo que no vocabulário botânico se chama de pseudofruto (como o caju) e ainda a infrutescência (como o figo).

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    Quase sempre a fruta pode ser comida crua, mas não necessariamente. Nas palavras do Houaiss: “Alguns frutos, embora só sejam consumidos após o cozimento, são chamados de frutas, como, por exemplo, a fruta-pão e algumas variedades de banana”.

    É importante notar também que nem todo fruto que se presta a ser ingerido é uma fruta. O chuchu e o pepino são frutos comestíveis que não merecem o nome de fruta. O tomate, embora haja uma corrente que discorde, é outro. Classificados genericamente como legumes, esses frutos se caracterizam por terem menos açúcar do que as frutas.

    Os dois substantivos – ambos antigos, datados do século XIII, a princípio grafados fruito e fruita – têm uma origem latina semelhante, mas não idêntica.

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    A matriz de “fruto” é fructus, “direito de receber e guardar como propriedade os frutos produzidos por alguma coisa, gozo desses frutos, proveito, colheita”. Note-se que esse sentido de “direito de fruir” é conservado na palavra “usufruto”, derivada de usus-fructus, “direito de gozo de um bem do qual não se é proprietário”.

    “Fruta” veio de fructa, plural da forma tardia fructum, correspondente ao clássico fructus. Não consegui encontrar nenhuma referência ao momento em que surgiu seu sentido restrito de “fruto comestível”, mas acredito que ele não existisse em latim.

    Essa origem de “fruta” levou alguns gramáticos antigos a condenar seu uso no plural, como se a palavra já tivesse um sentido coletivo intrínseco. Um preciosismo que a realidade da língua soterrou faz tempo.

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