O verme vermelho
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O vermelho que coloriu o mundo após a justa conquista da Copa do Mundo pela Espanha é furiosamente rojo na língua de Iker Casillas – do latim russus, a mesma matriz em que o italiano foi buscar o rosso e que aqui, deslocando-se no espectro solar, deu em roxo.
Quando queremos dizer vermelho, o que primeiro nos ocorre é uma palavra descendente de vermiculus, pequeno verme. Vermezinho? Isso mesmo, palavra bichada: dentro do vermelho mora a cochonilha, praga da lavoura, inseto do qual se extrai desde a antiguidade e muito antes do pau-brasil um vivo pigmento rubro (de rubrum) de larga aplicação.
O vermezinho não vingou apenas no português. Outras línguas em dívida com o latim o acolheram como vermeil (francês), vermiglio (italiano), bermejo (espanhol) e até vermilion (inglês). Mas estas são palavras menos batidas, que designam desvios de cor mais ou menos sutis ou se prestam a colorir a língua com uma sinonímia inesperada, como, por aqui, rubro, ruivo, escarlate, encarnado, coral, sanguíneo, rubicundo, solferino. Variações em torno do vermelho.







