O verde, por dentro, que cor tem?
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Dentro da palavra verde não é verde. A palavra longo, na verdade, é curta, ao contrário de protozoário, que é longa, embora a coisa que designa pertença ao reino do microscópico.
No fundo da linguagem, nos porões que só ousamos visitar em sonhos, reina a mais completa arbitrariedade. Verde conjura o verde na mente de quem fala português, mas isso se dá por convenção, como se percebe logo ao apresentar a palavra a um cipriota ou um nepalês.
Verde, do latim viridis, é só mais uma das milhares de palavras, grande parte delas esquecida, que a humanidade inventou para designar aquela cor chamada de jeshile em albanês, hijau em malaio, zelen em búlgaro e hovy em guarani.
Entre palavra e coisa, estreitam-se em nossa mente tantos laços pegajosos que elas tendem a se confundir. Mas sua união é fundada em bases movediças, como uma ilha que flutuasse no mar. A verdade é que o verde só é verde por metáfora, por um salto de imaginação. Como tudo.
Isso é motivo de um leve pânico que, surdo e profundo, assombra todos os atos de comunicação humana: o pavor que temos de pular para fora do sentido. De cair no buraco de Alice e despontar num mundo em que o verde se chama, sei lá, charyalò, mas você não fala romani.





