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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

O procurador procurou?

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Por Sérgio Rodrigues
7 jun 2011, 16h49 • Atualizado em 31 jul 2020, 11h43
  • Se quem procura, acha, será que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, procurou direito?
    A frase pode funcionar como piada de salão, mas traz embutida de propósito uma confusão etimológica. Embora sejam derivados no fim das contas do mesmo termo latino, procurare, o substantivo procurador e o verbo procurar, com o sentido de “buscar, empenhar-se em encontrar”, foram se distanciando semanticamente ao longo dos séculos.

    O procurador permaneceu próximo do sentido original de procuratoris: “o que está encarregado de alguma coisa, o que tem a seu cargo um cuidado, o que administra”, segundo o dicionário Saraiva. Vêm daí tanto a acepção de “advogado que zela pelos interesses do Estado” – de onde saiu o nome do cargo ocupado por Gurgel – quanto a de “alguém que tem procuração, isto é, autorização para administrar os negócios de outra pessoa”.

    Não fica claro quando foi que procurare, que no latim clássico se limitava ao campo semântico acima, acabou por adquirir o sentido que hoje é hegemônico em português. O certo é que ao desembarcar aqui, no século 14, a palavra já tinha esse significado.

    Se as datas são nebulosas, não é difícil entender a lógica de tal transformação. O procurador e a procura trazem embutidos o termo latino cura, isto é, “cuidado, zelo, administração, supervisão”. A mesma palavra e a mesma ideia que estão presentes na cura do vocabulário médico, no cura do vocabulário religioso, na curadoria do vocabulário artístico e na curiosidade do vocabulário de todo mundo.

    É justamente na curiosidade que, se formos curiosos, vamos encontrar as pegadas deixadas pelo verbo “procurar” ao se distanciar de sua origem administrativa para ganhar o sentido investigativo hoje dominante. Saraiva de novo: curiositatis é “cuidado, diligência em buscar uma coisa… busca, procura cuidadosa… desejo, empenho de saber, conhecer, achar, descobrir”.

    Pode-se reformular então a pergunta lá de cima: será que o procurador-geral fez justiça à curiositatis?

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