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Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

O ostracismo e as ostras

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Por Sérgio Rodrigues
18 set 2012, 17h03 • Atualizado em 31 jul 2020, 07h51
  • ostras-alice-no-pa%c3%ads-das-maravilhasO ostracismo, isto é, o desterro social, o gelo a que se condena uma pessoa, é uma palavra que desembarcou em nossa língua no século 16. Descendia, por meio do latim ostracismus, do grego ostrakhismós, de sentido mais restrito do que aquele que, por expansão e figuração, a palavra acabaria adquirindo entre nós. O ostrakhismós era o desterro político a que, por voto direto, a democracia ateniense podia condenar qualquer um de seus cidadãos. Durava dez anos e, como observa o Houaiss, “não importava ignomínia, desonra nem confiscação de bens”. Tratava-se, pelo menos em tese, de uma manobra asséptica e defensiva, destinada a isolar qualquer pessoa que se acreditasse ter a capacidade e a intenção de atentar contra a ordem pública.

    A curiosidade maior vem agora: como uma pérola, o ostracismo nasceu da ostra. Ou, para tornar a fórmula mais precisa e menos pitoresca: ostrakhismós é uma palavra derivada de ostrakon, termo genérico que nomeava uma série de objetos duros, rígidos, inflexíveis, e que guardava tanto o sentido de concha quanto o de casco (de tartaruga) e caco (de cerâmica). Dessa matriz brotaram óstreon e ostéon – que, sempre depois de uma tabelinha com o latim, deram origem respectivamente aos nossos vocábulos ostra e osso.

    Mas o que o ostracismo tem a ver com a ostra, afinal? Quem apostar numa relação metafórica entre o isolamento social do banido e a solidão de um molusco fechado em sua concha estará cometendo um erro – compreensível, mas não menos errado por isso. A relação é metonímica e só pode ser recuperada à luz da história antiga: para decidir quem seria condenado ao ostracismo, os cidadãos atenienses escreviam seus votos em caquinhos que depositavam numa urna. Alguns dicionaristas veem nesse ostrakon-cédula, que decidia o ostrakhismós, uma concha de ostra propriamente dita untada de cera; outros são menos precisos ou optam por cacos de cerâmica.

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