O ‘ínsito’ de Marco Aurélio Mello
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“Precisamos compreender a angústia de quem está condenado. É insito à pessoa tentar escapar, principalmente conhecendo as condições desumanas das nossas penitenciárias.”
O vizinho Ricardo Setti já deu uns cascudos no ministro Marco Aurélio Mello – “uma verdadeira Madre Teresa de Calcutá de toga” – pelas estranhas declarações em que ele pede compreensão diante da fuga de Henrique Pizzolato, condenado a mais de 12 anos de prisão no julgamento do mensalão. Fiquemos só com a lição de português que Mello nos proporciona.
Ínsito – eis uma palavra daquelas que derrubam até o mais douto entre nós, pela razão simples de que circulam quase exclusivamente no ambiente rarefeito do juridiquês e são empregadas, por uma dessas distorções da comunicação quando aliada ao poder, menos para dar um recado do que para não o dar, ou seja, para cifrá-lo. Decifra-me ou te devoro.
Será que o ministro quis dizer que fugir é “lícito”? Não, não se trata disso. Ele quis dizer que o desejo de escapar ao cumprimento da sentença a que foi condenado, um desejo obviamente ilícito, é inerente ao ser humano, característica natural e constitutiva de sua personalidade.
Trata-se de uma observação psicológica e não jurídica, como se vê. Ínsito deriva do latim insitus, particípio do verbo inserere, “inserir”. Ou seja, ínsito é o que foi inserido, introduzido – no caso, pela natureza na alma humana. Sempre esteve lá. Sempre estará. Para usar uma expressão popular, algo que “faz parte”.
Fim da lição. Decorar? Não precisa. Não faz a menor falta.








