Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

O ‘granf’, o ‘grunf’ e a origem da linguagem

Compartilhe essa matéria: Link copiado! No baú sem fundo das histórias que nunca foram escritas, imagine a de uma comunidade pré-histórica que não conhecia a linguagem falada além de dois gruhidos bipolares, “granf” e “grunf” – indicações grosseiras de sim ou não, bom ou ruim, lindo ou horroroso, curti ou não curti. À parte essa […]

Por Sérgio Rodrigues
12 fev 2012, 12h33 • Atualizado em 31 jul 2020, 09h32
  • saco-r%c3%basticoNo baú sem fundo das histórias que nunca foram escritas, imagine a de uma comunidade pré-histórica que não conhecia a linguagem falada além de dois gruhidos bipolares, “granf” e “grunf” – indicações grosseiras de sim ou não, bom ou ruim, lindo ou horroroso, curti ou não curti. À parte essa lacuna embaraçosa, era uma sociedade perfeitamente funcional e até sofisticada que cultivava vastos campos de inhame, o casamento monogâmico e o pagamento de propina aos seus líderes religiosos em troca de felicidade (“granf”) na vida eterna.

    Um dia, dois dos mais bonitos e saudáveis (“granf-granf”) jovens da aldeia decidiram se casar. Tudo se passou de acordo com a melhor tradição de seu povo: o noivo embolachou a noiva até ela perder os sentidos, arrastou-a pelos cabelos até sua caverna e a manteve amarrada com cipós de aroeira à espera da cerimônia, marcada para dali a sete sóis.

    No dia do casamento, chegou à aldeia um presente misterioso trazido de uma comunidade situada do lado de lá das montanhas por um portador peludo que logo deu um jeito de sumir dali. A princípio todos sentiram medo (“grunf”) do estranho regalo: um saco enorme feito de bexiga de bisão, cheio de coisas que, sacudidas, produziam um barulho suspeitíssimo. Demoraram algum tempo a reunir coragem para abri-lo e ver que ele estava repleto de palavras. Na sua inocência, uma criança foi a primeira a enfiar a mão lá dentro e puxar um item aleatório.

    – Irado! – saiu dizendo.

    Foi assim que a comunidade aprendeu a nomear tudo o que lhe era mais caro: inhame, monogamia, dízimo, vida eterna. Infelizmente, esta é uma história sem final feliz porque o casamento dos jovens bonitos e saudáveis que propiciou tudo isso não durou muito tempo. Ela logo deixou a caverna dele para nunca mais voltar, pisando firme e dizendo a quem quisesse ouvir:

    – Tremendo porco chauvinista!

    Publicidade
    TAGS:

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.