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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

O bicho-carpinteiro e a fraude do ‘corpo inteiro’

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Por Sérgio Rodrigues 6 nov 2013, 11h39 • Atualizado em 31 jul 2020, 05h02
  • bicho-carpinteiroProssegue a temporada de caça às bobagens aqui no blog. Nos últimos meses, vimos por que algumas dessas asneiras sobre a língua que falamos – mesmo difundidas com entusiasmo internet afora e até, em certos casos, em livros – são apenas isso: asneiras.

    Não, a expressão “cuspido e escarrado” não tem nada a ver com escultura.

    Não, a palavra “aluno” nunca teve o sentido de “sem luz”.

    Não, “nas coxas” não guarda relação com telhas moldadas por escravos nas próprias pernas.

    Não, “Quem tem boca vai a Roma” não é uma forma equivocada de compreender “quem tem boca vaia Roma”.

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    Acrescente-se a essa relação o caso do bicho-carpinteiro. Há mais de um século esse bichinho bate ponto na expressão “ter (ou estar com) bicho-carpinteiro”, que significa “ser muito inquieto, não parar no lugar”. Faz pouco tempo que os reformadores da fraseologia começaram a espalhar a seguinte tese fraudulenta: “O certo é ter bicho no corpo inteiro” (aqui, por exemplo).

    Errado. Às vezes atribuído de forma indevida ao professor de português Pasquale Cipro Neto (veja aqui), o dislate do “bicho no corpo inteiro” parte assumidamente da ignorância de um fato básico da língua: o de que existe uma criatura chamada bicho-carpinteiro. “Mas que bicho é esse que é carpinteiro, um bicho pode ser carpinteiro???”, pergunta o falso Pasquale, que os três pontos de interrogação bastariam para denunciar.

    Bicho-carpinteiro é, segundo o Houaiss, o nome popular e genérico de “diversas espécies de besouros, especialmente das famílias dos buprestídeos e cerambicídeos, que durante o estágio larvar brocam troncos e cascas de árvores”.

    Como se vê, a ideia da velha expressão é propor uma metáfora: a de que, como as árvores sob a casca (foto), a pessoa irrequieta tem sob a pele as larvas desses insetos a se remexer constantemente, fazendo cócegas e não a deixando sossegada.

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