Nem ‘melhoridade’ nem ‘melhor idade’
Compartilhe essa matéria: Link copiado! Priorizar nos meus resultados Google “A palavra melhoridade existe? Está escrita corretamente?” (Immaculada Schirmer) Não, a palavra melhoridade não existe. Imagino que Immaculada se refira à expressão “melhor idade”, que nos últimos anos muita gente vem usando como eufemismo de “terceira idade”, que por sua vez também surgiu como eufemismo […]
“A palavra melhoridade existe? Está escrita corretamente?” (Immaculada Schirmer)
Não, a palavra melhoridade não existe. Imagino que Immaculada se refira à expressão “melhor idade”, que nos últimos anos muita gente vem usando como eufemismo de “terceira idade”, que por sua vez também surgiu como eufemismo – de velhice, claro.
O eufemismo – isto é, a palavra ou expressão que substitui outra que se considere desagradável ou ofensiva – é um recurso linguístico complexo. Pode ser um aliado da civilidade. Pode ser também um inimigo da comunicação clara, como prova uma pérola do economês como “crescimento negativo”.
Que algumas pessoas considerem imprópria, por suas conotações, a palavra velhice (“idade avançada, que se segue à idade madura”, Houaiss), entende-se. O argumento a favor da expressão “terceira idade” não é desprezível, mesmo que não gostemos dela.
“Melhor idade” é um caso diferente. Eufemismo de um eufemismo, essa expressão condescendente me parece uma ode à mentira, um nó de hipocrisia concentrada que deve ser evitado.
Ninguém acha – nem os jovens nem os velhos – que a velhice é a “melhor idade”. Ela pode e deve ser, sim, uma idade bela e digna, mas em nome dessa dignidade é preciso combater o modismo da infantilização dos idosos que tal expressão traduz melhor do que qualquer outra.
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