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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Festa de arromba: como e por que escrever?

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Por Sérgio Rodrigues
14 abr 2013, 10h00 • Atualizado em 31 jul 2020, 06h28
  • ‘O Baile no Moulin de la Galette’ (1876), de Renoir

    “Uma vez me perguntaram: ‘Como é escrever, você senta e vai saindo tudo?’. Respondi: ‘Olha, esse negócio de sentar e ir saindo tudo para mim é outra coisa’”, diz Luiz Vilela.

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    “Confesso que escrevo de palpite, como outras pessoas tocam piano de ouvido”, pondera Rubem Braga.

    “O sujeito que escreve deixa de ser ele mesmo. Uma simples frase nos falsifica ao infinito”, atalha Nelson Rodrigues.

    “O negócio é escrever menos e melhor”, obtempera Sérgio Sant’Anna.

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    “Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos”, lamenta Carlos Drummond de Andrade.

    “Escrever é um ato solitário e besta, que não satisfaz nem o narcisismo do pobre-diabo que escreve, nem a expectativa do infeliz que lê”, concorda Otto Lara Resende.

    “A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa… e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita”, minucia Mário Quintana.

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    “O que interessa sobretudo ao ficcionista é saber o nome das coisas, dos materiais e utensílios. Poucas vezes tive tanta alegria como no dia em que descobri que a pedra redonda dos amoladores de faca se chama rebolo”, discrepa Autran Dourado.

    “Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas”, ressalva Clarice Lispector.

    “Pobres dos escritores que não se derem conta disso: escrever é transmitir vida, emoção, o que conheço e sei, minha experiência e forma de ver a vida”, receita Jorge Amado.

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    “Outro dia um dos meus netos começou a chorar enquanto eu escrevia. Não havia mais ninguém em casa, então o peguei no colo. Percebi que aquela invasão da realidade era mais bonita que a ficção que eu tentava escrever”, exemplifica Ariano Suassuna.

    “Noventa e nove por cento da literatura não vale nada. E cem por cento do que se escreve sobre literatura – inclusive esta frase – também não”, vocifera Austino Lemos, o penetra, acabando com a festa.

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