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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Europa, Europa

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Por Sérgio Rodrigues
10 dez 2011, 09h17 • Atualizado em 5 jun 2024, 16h35
  • Na história dos mapas-múndi, mapeamento de um lento cair em si da espécie humana em sua comovente – e hoje claramente excessiva – tomada de posse do planeta, existe um padrão que se mantém desde o princípio: o do mundo tripartite. No século 6 a.C., o grego Anaximandro formulou um quadro minimalista (à esq.): o mundo era repartido por grossos braços de água entre Ásia, Europa e… Líbia.

    Muito se avançou nos séculos seguintes em termos cartográficos, como se percebe pelo mapa de Eratóstenes (abaixo), de 200 a.C., uma beleza de representação do Velho Mundo, isto é, das terras até então conhecidas. Havia agora uma penca de outros nomes, mares, rios, regiões, mas o esquema geral de Anaximandro continuava lá: Ásia, Europa e Líbia.

    Aí veio a Idade Média e, como era de se esperar, tudo ficou mais tosco. A representação (abaixo) que o mundo gostava de ter de si mesmo a partir do século 7 era baseada nas ideias de Isidoro de Sevilha e consistia num disco dividido em três por um oceano em forma de T, o Mediterrâneo. A parte mais polpuda, metade inteira do mundo, era a Ásia. As duas menores se chamavam Europa e, agora sim, África.

    O esquema conhecido como T-O – tudo nele é envolvido por um grande oceano chamado O, símbolo até honesto de uma enorme lacuna – fez sucesso por séculos. Sua limitação cartográfica era compensada pela eficácia simbólica. Na Idade Média, o esquema de Anaximandro se depurava graficamente, ganhava nomes definitivos e tornava-se, digamos, uma ideia.

    A principal novidade a arrebentar esse esquadro foi, evidentemente, o Novo Mundo, terras vastas que a parte de baixo do T tratou de conquistar, com a Europa de empreiteira e a África entrando com a mão de obra. Mas basta entender os países surgidos nessas novas terras como filhos de Europa e África, o que de fato são, para que a clarividência do velho grego se reinstale: a perna do T cresceu, espichou, mas Anaximandro ainda é rei.

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    O nome Europa, palavra da semana, é imemorial. O português o pegou do latim Europa, que o pegou do grego Europe, que o pegou não se sabe de onde, talvez do fenício ereb (“noite”, portanto o oeste, o ocidente), isso se não o tiver fabricado com recursos próprios (o grego eurús quer dizer “amplo, vasto”).

    Na mitologia, Europa era uma bela princesa, filha de Agenor, rei da Fenícia, irmã de Cadmo e amada de Zeus/Júpiter, que a raptou e engravidou. Ou a filha de Títio, mãe do argonauta Eufemo. Como nome de um lugar, consta que aparece pela primeira vez num hino homérico (“tanto o povo do rico Peloponeso quanto o da Europa…”), em torno do século 8 a.C., talvez antes.

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    A Europa era então uma terra vasta e chucra. De lá para cá mudou muito: teve suas principais avenidas pavimentadas pelo Império Romano, ocupadas por bárbaros de cara pintada quando o Império ruiu, fortificadas por papas, príncipes e senhores feudais em guerras de cem mil dias, iluminadas por artistas, cientistas, filósofos libertários, ceguinhos de realejo e tavernas abertas até tarde – numa palavra, tudo aquilo que nos habituamos a chamar de civilização ocidental.

    Infelizmente, essa mesma Europa de Walt Disney foi usada também, há apenas sete décadas, como cenário de um inesquecível blockbuster de terror, no qual o expressionismo alemão zombava da ingenuidade dos que acreditavam que vencer o mal por meio da razão era possível, que o caminho civilizado era necessariamente o da luz, e que a Europa mostraria o caminho.

    Não mostrou. Depois até tentou mostrar, criando na marra uma união supranacional civilizadíssima, que no entanto não demorou a fazer água. Agora está em apuros, a velha Europa. Já há quem diga que o esquema T-O, resistente há tantos séculos, encontrou finalmente um adversário à sua altura: a T.I.

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