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Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

A bizarra história do bizarro

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Por Sérgio Rodrigues
23 nov 2010, 13h53 • Atualizado em 31 jul 2020, 13h33
  • O expressivo adjetivo bizarro passa por uma onda de revalorização no português brasileiro, provavelmente impulsionado pelas notícias bizarras – ou seja, extravagantes, estranhas, incomuns, de difícil explicação – que se tornaram uma editoria de grande visitação na maior parte dos portais eletrônicos. É uma palavra que está na boca dos jovens, o que deve lhe garantir vida longa.

    Bizarramente, o termo bizarro desembarcou em nossa língua no século 16 com um sentido bem diferente, hoje em desuso. Bizarro queria dizer – como também no espanhol, onde fomos buscar a palavra – garboso, fogoso, valente, elegante, gentil ou nobre. Foi no francês bizarre que se consolidou desde cedo, por caminhos obscuros, o significado de “muito estranho” que acabaria exportado para o inglês e, no fim das contas, também para o português e o espanhol.

    Claro que os puristas tentaram banir esse uso. “Galicismo semântico!”, acusaram, propondo em seu lugar o emprego de sinônimos vernaculares como “extravagante, desusado”. Perderam, claro, pois o movimento da história estava contra eles. Hoje, se não fosse a acepção nascida na França, bizarro seria entre nós uma palavra de museu.

    Não é apenas nas variações de sentido que o adjetivo bizarro confunde os etimologistas. Sua origem também não é pacífica, com duas teses disputando a preferência dos estudiosos: a de que nasceu no italiano bizarro, que quer dizer “colérico”, isto é, cheio de bizza, “cólera”; e a de que surgiu no francês a partir do basco bizar, “barba”, com a explicação de que soldados espanhóis barbudos pareciam estranhos aos franceses.

    É ou não é bizarra a etimologia?

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