Veja 5 – Ser antipetista é o mesmo que estar doente?
Acima, O Líder, escultura de Josef Thorak, datada de 1937. Ele foi um dos artistas do nazismo: neoclassicismo de Estado e passado idealista. No alto, Lênin e Stálin no Verão de 1917, de Ivan Alekseevich Vladimirov: a revolução e o futuro redentor No meu artigo na Veja intitulado “Sou doente, mas sou feliz”, falo sobre […]
Acima, O Líder, escultura de Josef Thorak, datada de 1937. Ele foi um dos artistas do nazismo: neoclassicismo de Estado e passado idealista. No alto, Lênin e Stálin no Verão de 1917, de Ivan Alekseevich Vladimirov: a revolução e o futuro redentor
No meu artigo na Veja intitulado “Sou doente, mas sou feliz”, falo sobre a acusação de que sou antipetista e da freqüência com que os partidários de Lula associam tal característica a uma doença. Assim, resolvi escrever sobre a função social do antipetismo. Seguem trechos:“Quando me acusam de “antipetista”, jamais me defendo. De certo modo, é verdade. Mas só de certo modo e à medida que reajo à tentativa do petismo de se afirmar como um novo humanismo, uma versão totalizante do homem e da sociedade aplicável a todos os campos do conhecimento e da experiência. Mas chego a esse ponto daqui a pouco – depois de uma digressão, que segue nos três parágrafos seguintes.A acusação de antipetismo, especialmente nos comentários do blog, vem sempre acompanhada de manifestações inequívocas de ódio, de fúria e até da promessa de alguns sopapos: “Se te encontro na rua, seu careca cheio de tumores…”. Já não os tenho mais, até onde sei. Pouco importa. A evocação da doença como metonímia – a parte que é todo – é um rito que exorciza o demônio da crítica e expulsa a diferença do convívio social. A suposição subjacente é a de que, não fosse um estado mórbido, físico ou espiritual, eu estaria com eles. O dissenso é visto como uma invasão tumoral com intenções finalistas: “dar um golpe”, “voltar ao poder”, “destruir o governo” – o agente da salubridade. As tiranias sempre se excedem nos símbolos de limpeza, pureza, assepsia e retidão morais.Comunismo e fascismo combateram, por exemplo, a “arte decadente”, propondo em seu lugar uma estética moral. Os soviéticos escolheram a ditadura do futuro, com os operários e camponeses severos, cheios de fé, do Realismo Socialista. Já os nazistas optaram pela ditadura do passado, com um retorno às formas perfeitas, “saudáveis”, uma espécie de neoclassicismo de Estado, um tanto melancólico até, mas sempre aspirante a uma inumana serenidade ou gravidade atemporal. Em qualquer dos casos, tratava-se de um escapismo imposto ou pelo terror revolucionário ou pelo terror reacionário.Só as sociedades livres, plurais, democráticas, de mercado se dedicam a uma ética e a uma estética, digamos, “sujas”, internacionalistas, precárias, contaminadas de presente, voltadas para a indagação de questões existenciais, individuais, não programáticas, que não cabem nos anseios de retorno a um homem pré-industrial, pré-urbano, anterior à queda, ou nas escatologias pós-capitalistas, rumo ao fim da história.”Assinante lê mais aqui







